Veja o que se sabe sobre a prisão da servidora suspeita de desviar R$ 6 milhões em Santo Antônio do Pinhal
Investigada por peculato, chefe de tesouraria teve prisão preventiva mantida

Uma servidora pública suspeita de desviar cerca de R$ 6 milhões da Prefeitura de Santo Antônio do Pinhal foi presa preventivamente nesta quarta-feira (12). A investigação, conduzida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, apura ainda se parte do dinheiro público foi utilizada em apostas, inclusive em plataformas digitais.
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Identificada como Ana Flávia dos Santos, de 31 anos, a servidora ocupava o cargo de chefe de tesouraria e recebia salário aproximado de R$ 2 mil. Ela passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (13), quando a Justiça decidiu manter a prisão preventiva. Até a última atualização do caso, a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo não havia informado a unidade prisional para onde a investigada foi encaminhada.
De acordo com a decisão judicial, há indícios de desvio milionário e risco de fuga. Testemunhas relataram que a servidora teria adquirido dólares em espécie, passagens aéreas internacionais e planejado viagem ao exterior. O magistrado responsável também apontou incompatibilidade entre o padrão de vida da investigada e os rendimentos do cargo público.
A servidora foi indiciada por peculato — crime que ocorre quando o funcionário público se apropria de recursos em razão da função, com pena prevista entre dois e 12 anos de prisão. Segundo as investigações, as irregularidades teriam começado em dezembro de 2024 com valores menores e se intensificado ao longo de 2025.
O suposto esquema consistia em transferir recursos de contas municipais para uma conta inativa do tipo “cartão-adiantamento”. Em seguida, os valores eram enviados para a conta pessoal da investigada por meio de operações via PIX e TED, utilizando o próprio e-mail como chave. Para ocultar as movimentações, ela teria realizado conciliações bancárias e alterado dados em sistemas internos e no sistema Audesp, do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
O desfalque foi descoberto no dia 6 de fevereiro de 2026, quando a chefe de contabilidade identificou uma pendência de PIX em favor da tesoureira durante período de folga da investigada. Após a redefinição de senhas das contas municipais, foi identificado prejuízo estimado em R$ 6 milhões. Até o momento, cerca de R$ 800 mil foram recuperados.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Luís Geraldo Ferreira, há indícios de que parte do dinheiro tenha sido utilizada em jogos de azar online. A polícia segue investigando o possível envolvimento de outras pessoas, embora até agora apenas a servidora tenha participação direta confirmada.
A Justiça autorizou ainda a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da investigada, além do bloqueio de valores até o limite de R$ 6 milhões e o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
A Prefeitura informou que o valor investigado corresponde a cerca de 10% da receita anual do município e que abriu procedimentos administrativos e civis paralelos à investigação criminal. A servidora pode responder por improbidade administrativa e ser exonerada. A defesa foi procurada, mas não se manifestou até a última atualização do caso.
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