São José 247 anos: gráfica capacita e ingressa deficientes visuais no mercado de trabalho
A Gráfica Pró-Braille do Provisão completou neste mês de julho 10 anos de trabalho em São José dos Campos. Com a missão de capacitar pessoas com deficiência visual para o mercado de trabalho, o projeto faz parte de um processo de reabilitação capaz de mudar e muito a vida de jovens e adultos.















A Gráfica Pró-Braille do Hospital Provisão completou neste mês 10 anos de trabalho em São José dos Campos. Com a missão de capacitar pessoas com deficiência visual para o mercado de trabalho, o projeto faz parte de um processo de reabilitação capaz de mudar, e muito, a vida de jovens e adultos.
Outro aspecto é a ampliação do acesso aos livros, apostilas e diversos materiais que são publicados em braille. A gráfica é a única deste segmento na Região Metropolitana do Vale do Paraíba. O espaço faz transcrição de provas, documentos, cartas, bulas, gráficos, cálculos, desenhos, assim como a impressão de cartões de visita, folders e cartazes.
Além da linha editorial, a gráfica também integra o Centro de Reabilitação do Provisão, na divisão de empregabilidade. Segundo a coordenadora do setor, Arae Ferreira de Souza, a entidade prepara e estimula seus pacientes a ingressarem no mercado de trabalho e ainda fazem a ponte com as empresas, disponibilizando um banco de currículos.
“Muitos chegam ao centro de reabilitação sem experiência, alguns nunca trabalharam. O que fazemos é apenas mostrar para essas pessoas o potencial que elas têm. O estágio na gráfica prepara essas pessoas para um ambiente corporativo. Depois vamos nas empresas mostramos tudo que esse profissional é capaz de fazer e as contratações acontecem. Ainda é difícil, funciona muito com convênios com a prefeitura, mas aos poucos vão entrando no mercado”, explica Arae.
Determinação
Carlos Peres, 33 anos, perdeu a visão dias depois de nascer. Um defeito nas incubadoras da maternidade fez com que os equipamentos liberassem mais oxigênio do que era preciso, e com isso, Peres e mais três bebês ficaram cegos.
“Cresci cercado de carinho e apoio de minha família. Isso fez com que eu seguisse minha vida e chegasse até aqui. É importante frisar que sem o apoio dos pais, parentes e amigos, é muito difícil vencer as barreiras”, afirma Peres.
Estimulado pela família e com apoio do Provisão, Peres foi um dos estagiários da gráfica e hoje é revisor de todo o material publicado em braille pela instituição.
“Mandei currículo em 2003, depois de alguns anos me chamaram. Fui telefonista, trabalhei com atendimento ao público e me apaixonei pelo trabalho na gráfica. Fiz um semestre de Jornalismo, depois mudei de curso e me formei em Letras. Nesse tempo fui mostrando meu trabalho aqui. Não me deram de graça meu cargo, eu lutei para conquistá-lo, fiz pós-graduação e como qualquer profissional que se dedica fui crescendo aqui dentro”, destaca.
Mercado
Ao todo, a gráfica pró-braile já formou 60 estagiários, muitos outros também estão no mercado de trabalho e, como Peres, descobriram que podem conquistar novos espaços. É o caso de Dalva Rodrigues de Faria, 44 anos, que trabalha há um ano e meio como telefonista no FAMME (Fundo de Assistência Médica Medicamentosa) em São José dos Campos.
“Meu primeiro emprego foi na gráfica no Provisão, já com 36 anos de idade. Não é só o caso da gente não querer e sim também a dificuldade das empresas em contratar deficientes visuais, por achar difícil ou ver muita necessidade de adaptações. Mas sei, hoje, que é sempre a gente que tem que se adaptar aos espaços, a rotina, e assim fazer bem nosso trabalho, independentemente do lugar. Hoje sou realizada por estar trabalhando”, relata Dalva.
O Provisão atende pacientes com deficiência visual encaminhados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em sua unidade de reabilitação, mantém o banco de currículos e o programa de estágio e empregabilidade. Outras informações sobre a gráfica e o programa no site da instituição.
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