São José 247 anos: região sudeste, uma história esquecida de índios e barões

Os bairros da região sudeste de São José dos Campos datam do meio da década de 1950. Vila Iracema, Jardim do Lago e, mais perto do centro, a Vila São Benedito foram registrados em cartório entre 1956 e 1960. Contudo, nasceram muito antes e guardam histórias curiosas que fazem parte do passado da cidade.

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
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Os bairros da região sudeste de São José dos Campos datam do meio da década de 1950. Vila Iracema, Jardim do Lago e, mais perto do centro, a Vila São Benedito foram registrados em cartório entre 1956 e 1960. Contudo, nasceram muito antes e guardam histórias curiosas que fazem parte do passado da cidade.

O pintor João Dimas , 56 anos, é casado, pai de cinco filhos e mora na região do Putim há mais de 30 anos. “Quando cheguei aqui era uma região rural, cheia de chácaras, sítios e fazendas. Não tinha comércio, serviços, só gado e muita história boa” conta.

Ao ver o boom imobiliário na região a partir da década de 90, o senhor Dimas, como é conhecido no bairro, teve uma grande ideia: reunir depoimentos, fotos e histórias sobre a região, para que a região não perdesse a identidade.

“Aqui vivem descendentes de índios, do tempo dos jesuítas, ceramistas do tempo de Paulo Becker, funcionários do que foi a imensa Granja Itambi que empregava muitos moradores daqui, tem lenda urbana, tem Folia de Reis, calango e muitas tradições que as máquinas foram passando por cima”, relata Dimas.

Com uma máquina fotográfica e uma filmadora, Dimas passou dois anos batendo nas portas dos moradores mais antigos, ouvindo seus casos e causos, registrando manifestações populares e copiando fotos antigas. Seu acervo deu origem a dois documentários que, apesar de prontos, só foram vistos no próprio bairro.

Detalhes
Da região sudeste, mais propriamente da região do Putim, Dimas conta que no passado toda a área era território indígena. “Em 2004 acharam uma urna funerária Tupiguarani onde hoje é um dos novos loteamentos. O local que está isolado até hoje era uma tribo. E aqui tem muitas outras, sempre que converso com o pessoal que trabalha para as construtoras me contam que os tratores que fazem terraplanagem vivem achando objetos indígenas. Eles não falam nada para não perder o terreno”, detalha.

Segundo o que apurou o pintor e documentarista, foi o ciclo do café que no final do século 18 afugentou os índios para a Serra do Mar. Desse período, o bairro do Putim ainda guarda uma fazenda com senzala e detalhes do tempo dos barões.

Do passado mais recente, o morador do Putim conta que trabalhou ao lado de outros mil funcionários na granja Itambi, que já foi a principal atividade econômica do bairro. “Também tinha a Cerâmica Becker e dezenas de olarias familiares. Perto do rio e dos açudes daqui tem uma das melhores argilas da cidade, e com isso muitos produziram tijolos e cada família tinha sua marca especial. Tenho tijolos de várias famílias arquivados”. A granja que já foi uma das maiores do país encerrou suas atividades na década de 90.

Patrimônio
Para Dimas o maior patrimônio do bairro são suas histórias e cultura. Hoje, ele e outros moradores lutam para conseguir a implantação de uma casa de cultura no Putim para manter o acervo histórico que recolheram. Querem preservar e difundir a cultura local, com suas comidas, danças e tradições.

“Se nada for feito, vão demolir tudo até ninguém lembrar mais e a nossa origem se perder. Não podemos deixar isso acontecer, temos um legado aqui. Apesar das milhares de pessoas que vieram morar nessa região nos últimos dez anos não terem ideia da riqueza do lugar onde vivem, nós que os acolhemos, temos muito para contar”, conclui.

Atualmente a região sudeste é composta por 40 bairros e loteamentos, com uma população de mais de 45,8 mil pessoas. A região começa na ponte sob a via Dutra que liga o centro à avenida dos Astronautas e termina entre as rodovias Carvalho Pinto e Tamoios.

Segundo a Secretaria de Planejamento Urbano, a atividade econômica nesta região é basicamento composta por maquinarias e metalurgia. Há poucos estabelecimentos comerciais, com predominância de varejos pequenos, como quitandas, mercadinhos, armazéns e lojas de variedades.

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