Jovem baleado na cabeça por PM em São José dos Campos tem quadro de morte cerebral

Caso está sendo investigado

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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Carlos Alberto Chagas Júnior, de 21 anos, baleado na cabeça por um policial militar após uma perseguição pela zona sul de São José dos Campos, na noite de domingo (25), apresenta quadro de morte cerebral. A informação foi confirmada por familiares nesta terça-feira (27). O jovem está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal, na Vila Industrial.

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Segundo a tia de Carlos Alberto, a equipe médica informou que ele não responde mais a estímulos. Exames complementares devem ser realizados para que o hospital possa acionar oficialmente o protocolo de morte cerebral. O jovem foi socorrido com vida após ser atingido e encaminhado ao centro cirúrgico, mas sofreu perda de massa encefálica e permaneceu em coma, entubado, desde então.

Na segunda-feira (26), a familiar havia relatado que o estado de saúde era gravíssimo.

Ainda de acordo com a tia, Carlos Alberto era motoboy, tinha um filho de dois anos e a companheira está grávida. Ele começaria um novo trabalho como ajudante de pedreiro nesta segunda-feira (26).

O caso

Conforme o boletim de ocorrência, a Polícia Militar iniciou a perseguição após identificar uma motocicleta considerada suspeita. O condutor trafegava sem capacete e, posteriormente, foi constatado que o veículo tinha registro de furto. A perseguição passou por bairros como Parque Interlagos e Campo dos Alemães.

Na etapa final do acompanhamento, houve disparos efetuados por um policial militar. Carlos Alberto foi atingido na cabeça, perdeu o controle da motocicleta e colidiu contra um veículo estacionado. O registro aponta que foram contabilizados oito disparos, com um acerto.

O boletim de ocorrência informa ainda que, próximo ao local onde o jovem caiu, foi localizado um revólver calibre 38, com dois cartuchos íntegros. A arma foi apreendida e relacionada ao suspeito no registro policial. O armamento do policial que efetuou os disparos também foi recolhido para perícia.

A Polícia Civil registrou o caso como flagrante para apuração dos crimes relacionados e reconheceu, de forma preliminar, a existência de legítima defesa na atuação do agente estatal. O documento ressalta, no entanto, que eventual excesso será analisado pela autoridade responsável pela investigação, especialmente após a avaliação de imagens de câmeras corporais.

Em consulta aos sistemas policiais, não foram encontradas anotações criminais anteriores em nome de Carlos Alberto.

Versão da família

A família contesta a versão de que o jovem estaria armado no momento da ocorrência. Segundo a tia, a motocicleta pertenceria a um amigo e teria sido utilizada apenas para um passeio. “Ele deu fuga, sabemos que fez errado, mas estão falando que ele estava armado. Ele não atirou”, afirmou.

Ela também criticou o tempo de espera por socorro e relatou que houve revolta de moradores no local após os disparos. “A população estava revoltada e ele ficou aguardando resgate por um grande tempo”, disse.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

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