Morte de bebê em UPA gera comoção; Prefeitura investiga o caso

Bebê de 10 meses morreu na UPA Campo dos Alemães. Família questiona atendimento e prefeitura abriu uma averiguação interna para apurar o caso.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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O bebê Anthony Gabriel Souza, de 10 meses, morador do bairro Parque dos Ipês, morreu na manhã desta segunda‑feira (27), por volta das 9h, na UPA do Campo dos Alemães, em São José dos Campos.

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A morte gerou comoção e levantou questionamentos da família sobre o atendimento prestado à criança nas semanas anteriores.

De acordo com o médico que atestou o óbito, a causa da morte foi asfixia mecânica por sufocação direta e broncoaspiração de conteúdo gástrico.

Questionamentos da família

Familiares relatam que Anthony apresentava problemas de saúde havia cerca de duas semanas, com diagnóstico de bronquiolite, e que teria procurado atendimento médico em mais de uma ocasião, sendo medicado e liberado, sem necessidade de internação. Na avaliação da família, o bebê necessitava de cuidados mais intensivos.

Os parentes também questionam a dosagem de uma medicação prescrita, considerada elevada, que teria provocado taquicardia, além dos procedimentos adotados durante as tentativas de reanimação. A família levanta a possibilidade de falhas no atendimento médico, o que será investigado.

O que diz a prefeitura e a unidade de saúde

Em nota oficial, a Prefeitura de São José dos Campos informou que foi aberta uma averiguação interna para apurar o caso. Segundo a administração municipal e a UPA Campo dos Alemães, gerenciada pelo Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), não houve negligência médica e todos os protocolos clínicos foram seguidos.

De acordo com a prefeitura, o bebê foi atendido em três ocasiões na unidade:

  • 21 de abril: apresentou tosse seca e rouquidão, realizou raio‑X do tórax sem alterações, recebeu medicação, apresentou melhora e foi liberado com orientações;
  • 25 de abril: retornou com náuseas, vômitos e tosse, foi novamente avaliado, medicado e liberado, sem sinais de gravidade;
  • 27 de abril: a família levou a criança à UPA após encontrá‑la desacordada e com coloração arroxeada nas extremidades. A equipe iniciou imediatamente procedimentos de emergência, com tentativa de reanimação e suporte intensivo por mais de uma hora, mas o óbito foi constatado.

Nota da Secretaria de Saúde

A Secretaria de Saúde informou ainda que o bebê possuía histórico clínico relevante, com nascimento prematuro, aos 35 semanas de gestação, baixo peso ao nascer (2.308 gramas) e gestação gemelar.

A gestação foi considerada de alto risco, com intercorrências de saúde materna. Após o nascimento, Anthony apresentou desconforto respiratório, tendo necessitado de suporte especializado e internação em unidade de terapia intensiva neonatal.

Durante o acompanhamento na Unidade Básica de Saúde, foram registradas dificuldades na continuidade do cuidado, como faltas em consultas consideradas importantes para o desenvolvimento infantil. Também foram observadas situações que exigem atenção, entre elas:

  • atraso no calendário de vacinação;
  • não realização de exames de controle indicados;
  • introdução precoce de alimentação inadequada.

A Secretaria reforçou a importância do acompanhamento regular das crianças nas unidades de saúde, da manutenção da vacinação em dia e do cumprimento das orientações médicas, especialmente em casos classificados como de maior risco clínico.

Apuração segue em andamento

A averiguação interna aberta pela prefeitura irá analisar prontuários, condutas e protocolos adotados durante os atendimentos. A família aguarda esclarecimentos e possíveis responsabilizações, enquanto o poder público afirma que os procedimentos seguiram os protocolos técnicos.

O caso segue em apuração e aguarda novos desdobramentos.

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