Saúde: projeto de lei sobre riscos da carambola gera impasse entre especialistas e políticos em Jacareí

Quem for comprar carambolas, ou qualquer produto derivado desta fruta nos próximos meses em Jacareí poderá ser surpreendido por um cartaz com um aviso – Os portadores de deficiências renais, deverão tomar cuidado com o consumo da Carambola e de seus derivados, por ser fatal devido à presença da substância neurotoxina.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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Lei quer alertar população sobre as neurotoxinas da carambola

Divulgação

Quem for comprar carambolas, ou qualquer produto derivado desta fruta nos próximos meses em Jacareí pode ser surpreendido por um cartaz com um aviso: “os portadores de deficiências renais deverão tomar cuidado com o consumo da Carambola e de seus derivados, por ser fatal devido à presença da substância neurotoxina”.

A ideia é do vereador Edgard Sasaki (DEM), de Jacareí, que redigiu um projeto de lei para obrigar os estabelecimentos que comercializam a carambola e seus derivados a fixar cartazes alertando dos riscos. Quem descumprir a nova regra, vai pagar multa de R$ 499,90.

A Câmara de Jacareí gostou e aprovou o projeto de lei de Sasaki durante sessão na última quarta-feira (28). “Eu tive a ideia quando uma amiga, cujo marido teve o rim transplantado, me alertou. Quando ela falou que a carambola era fatal para o doente renal, percebi que era muito importante e que essa informação tinha que ser divulgada”, conta Sasaki.

Carambola
É uma fruta originária da Índia, muito difundida no nordeste brasileiro e que já faz parte do cardápio regional. É apreciada para composição de pratos tropicais por sua forma e sabor. Rica em vitamina C e em fibras, é recomendada por nutricionista como parte de uma alimentação saudável.

Para Fabíola Figueiredo Nejar, professora do Departamento de Enfermagem e Nutrição da Unitau, se aprovada, a lei pode parecer uma propaganda contra a fruta. “Não dá para colocar avisos em todos os alimentos, ou cartazes dizendo que ele é restrito e causa mal para este ou aquele paciente. Já pensou? Cada pessoa sabe as restrições que sua doença lhe obriga. Acho que muita gente pode deixar de consumir a fruta, sem que essa lhe faça mal”, afirma a nutricionista.

A especialista afirma que é importante as pessoas terem acesso à informação, mas que deve ficar claro, que apesar da restrição para algumas pessoas, todas as outras pessoas podem consumir normalmente. “A carambola é uma fruta rica em vitaminas, em betacaroteno, em fibras, colorida e que faz parte da mesa do brasileiro. Temos que ter cuidado em toda ação que envolva a nutrição”, conclui.

Risco fatal
A caramboxina -como foi definida a neurotoxina da carambola- capaz de causar convulsões em pacientes renais, foi descoberta em 2013, após dez anos de estudos de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto.

De acordo com o estudo, se pacientes com problemas renais comerem ou tomarem suco de carambola em grande quantidade, podem ter problemas neurológicos e insuficiência renal aguda. “A toxina pode inclusive levar a convulsões e coma, só revertendo o quadro com hemodiálise”, explica o nefrologista Januário Gonçalves Roberto, do Nefromed, instituto especializado da Santa Casa de São José dos Campos.

Segundo Roberto, todo paciente renal já sabe que não pode consumir carambola, que avalia que, apesar de exagerada, a lei é bem-vinda. “Já faz alguns anos que esta orientação foi inserida no protocolo de nefrologia. É preciso ressaltar que  todo alimento rico em potássio, como a carambola, é restrito para quem tem problema nos rins. Contudo, no caso da carambola, o problema é a neurotoxina, que realmente pode levar a morte”.

O projeto de lei, aprovado pela Câmara, foi encaminhado nesta segunda-feira (2), para o Executivo.

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