Sem chuva, cidades que vivem das represas na Bacia do Rio Paraíba temem crise financeira
Com o nível das represas da Bacia do Rio Paraíba do Sul cada dia mais baixo, as pequenas cidades situadas às margens de represas como Paraibuna e Jaguari, que dependem economicamente dos reservatórios, temem crise financeira. Sem muitas fontes de recursos, Igaratá, Redenção e Natividade da Serra, lutam para não aumentarem suas dívidas neste período de estiagem que afastou os turistas.













Com o nível das represas da Bacia do Rio Paraíba do Sul cada dia mais baixo, as pequenas cidades situadas às margens de represas como Paraibuna e Jaguari, que dependem economicamente dos reservatórios, temem crise financeira. Sem muitas fontes de recursos, Igaratá, Redenção e Natividade da Serra, lutam para não aumentarem suas dívidas neste período de estiagem que afastou os turistas.
Igaratá, principal cidade turística nas margens da represa do Jaguari registrou queda de 30% no número de visitantes, com quase metade das reservas em hotéis e pousadas em relação ao ano passado. “Essa queda no número de hospedagem acaba afetando os setores de comércio e serviços em geral. Não existe ainda uma perspectiva real de como essa seca impactou no orçamento da cidade, mas estimamos que, com os cortes de repasses já efetuados pelos governos estadual e federal de impostos sobre serviço, tenha havido uma diminuição em torno de 10% da receita municipal”, detalha o prefeito Elzo Elias de Oliveira Souza (PR).
Outra preocupação para estas cidades é que com a variação no nível das represas, fica quase impossível atrair novos investimentos. “Temos sofrido um desgaste grande, principalmente com a fuga de investimentos e a diminuição das perspectivas na área de turismo, de realização de eventos náuticos e de outras atividades vinculadas ao comércio e serviços, como construção civil, comércio de imóveis, entre outros. Piorou ainda mais quando o governo do Estado anunciou que iria interligar aqui, o Sistema Cantareira”, completa Souza.
A saída para não ficar no vermelho no final deste período varia em cada cidade. Igaratá pretende executar dívidas com os cofres públicos, como impostos em atraso. Redenção negocia novos investimentos como a construção de um dique para manter sempre alto o nível da represa e atrair investimentos. Já Natividade não acredita que o turismo seja a saída para a cidade.
“Temos que ver se é isso que a população quer aqui. Eu particularmente quero investir em turismo, para isso melhoramos as estradas, estamos implantando um sistema de segurança, mas não esperamos grandes investimentos de fora. Vivemos dos repasses do governo federal, com impostos. Sempre foi assim”, afirma o prefeito de Natividade da Serra, Benedito Carlos de Campos Silva (PSDB).
Sem recursos, Igaratá, Natividade e Redenção da Serra somam mais de R$ 16 milhões em dívidas. Só de INSS e FGTS, são cerca de R$ 8 milhões. “Já parcelamos e vamos pagar. É só apertar o cinto e dar um jeito de pagar”, relata o prefeito de Natividade.
Em Redenção, de acordo com o prefeito Ricardo Evangelista Lobato (PTB), o jeito é pedir ajuda. “Estamos abandonados pelos turistas, sem dinheiro, sem água e com problemas financeiros. O centro histórico da cidade, que também poderia ser uma atração turística, está abandonado e precisa ser recuperado, mas não temos verba. Somos uma cidade que precisa urgente de socorro. E vamos recorrer ao governo estadual e federal”, conclui Lobato.
Represas
Sem previsão de chuvas até novembro, os reservatórios de água da RMVale continuam em queda. Nesta sexta-feira (12), a Bacia do Rio Paraíba do Sul operava com apenas 16,5% de sua capacidade total. A represa de Paraibuna, que fica na cabeceira do sistema, registrou nível de 10,54% e o reservatório de Jaguari trabalha com 29,5% de seu limite, liberando cerca de 40 metros cúbicos de água por segundo no Paraíba.
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