Sindicalistas e PM entram em conflito durante greve na Eaton; veja o vídeo

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de S. José chegou a ser algemado

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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O início da Campanha Salarial 2015 do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região foi marcado por uma confusão entre policiais militares e integrantes da entidade. O presidente da categoria, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, por exemplo, chegou a ser imobilizado e algemado.

Tudo aconteceu durante uma paralisação de 24 horas dos trabalhadores da Eaton, empresa do setor de autopeças de São José dos Campos, realizada nesta terça-feira (29). De acordo com o sindicato, dezessete viaturas estiveram na porta da fábrica, além do helicóptero Águia da PM que sobrevoou a empresa durante a mobilização.

“Policiais agrediram dirigentes sindicais e ativistas, jogando gás de pimenta e usando cassetetes. O presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, chegou a ser imobilizado, inclusive com uso de algemas. Os dirigentes e ativistas exigiram a soltura imediata do presidente. Após intervenção por parte de advogados e dirigentes sindicais junto à PM, Macapá foi liberado.  Faixas usadas pelo Sindicato para fechar o portão foram arrancadas pelos policiais”, diz a nota do sindicato.

“Infelizmente, já se tornou comum assistirmos a esse tipo de truculência na porta da Eaton, que frequentemente chama a PM para impedir mobilizações dos trabalhadores na fábrica. A greve e a organização sindical são direitos legítimos dos trabalhadores. O que não é legítima é a ação da Polícia Militar para reprimir a paralisação”, afirma Macapá.

Em nota, a PM informou que recebeu por volta das 5h30, uma solicitação de funcionários da Eaton que estavam sendo agredidos ao tentarem entrar na empresa para trabalhar, por integrantes do sindicato.

Segundo a PM, após constatação que os sindicalistas impediam a entrada dos funcionários na empresa para trabalhar, foi iniciada uma negociação com o presidente do sindicato, “o qual mostrou-se irredutível, não havendo negociação para permitir a entrada dos funcionários”, diz parte da nota.

“Diante da negativa, a PM começou a abrir passagem, fazendo um cordão, para garantir a entrada dos funcionários que não queriam aderir a greve, momento em que os grevistas iniciaram as agressões contra os policiais militares e funcionários, utilizando mastros de bandeira, causando danos em veículos de funcionários e lesões em funcionários e policiais militares”.

De acordo com a PM, “os envolvidos na ocorrência, vítimas e autores, foram conduzidos ao 3º DP, para registro dos fatos e providências. Até o momento 03 policiais, 01 segurança da empresa e 02 funcionários saíram com lesões, além de vários trabalhadores agredidos”.

Paralisação
De acordo com o sindicato, o ato na Eaton é organizado em parceria com a unidade da fábrica em Valinhos, São Paulo. Segundo Macapá, a greve dá início a uma série de paralisações que serão organizadas em várias empresas da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) de cidades cobertas pela entidade de São José.

“Começamos hoje aqui na Eaton de São José e na unidade da empresa em Valinhos. As ações fazem parte da Campanha Salarial e serão intensificadas nos próximos dias em outros empresas”, diz Macapá.

Ainda segundo o sindicato, na última negociação com o Sindipeças (Sindicato Nacional das Indústrias de Componentes Automotivos), os empresários ofereceram 8% de reajuste salarial, abaixo até mesmo da inflação do período (setembro de 2014 a agosto de 2015), fechada em 9,88%. Os metalúrgicos reivindicam 13,59% de reajuste, o que representa 3,38% de aumento real.

Em nota, a Eaton informou que está trabalhando com o Sindipeças para oferecer um reajuste salarial que seja favorável ao funcionário e à empresa. “Salientando que o Sindipeças, que representa a Eaton e várias outras empresas da região, já apresentou propostas de aumento salarial ao sindicato. Como sempre, a Eaton irá cumprir os termos da lei e a legislação local, da forma como for estabelecido”, diz a nota. A Eaton produz em São José válvulas para veículos (mercado interno e externo) e possui 370 funcionários.

Outros setores
O sindicato já recusou algumas propostas, como por exemplo, de empresas do setor aeroespaciais e fundição, e ainda irá se reunir com representantes de outros setores nos próximos dias. A entidade já protocolou aviso de greve nos setores de autopeças, estamparia, fundição e trefilação.

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