Sindicato cobra garantia de emprego para funcionários após ruptura de acordo da Boeing com a Embraer

O processo de venda teria custado à Embraer R$ 485 milhões em 2019, conforme demonstrativo financeiro da empresa, segundo sindicato

Escrito por: Bruna Caroline3 min de leitura
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Arquivo/Meon/Reprodução/SindicatodosMetalúrgicosSJC
Sindicato informou que, desde o início, posicionou-se contrário à venda da Embraer (Arquivo/Meon/Reprodução/SindicatodosMetalúrgicosSJC)

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região publicou uma nota neste sábado (25), defendendo a reestatização da Embraer. Medida visa garantia dos empregos dos funcionários, após a rescisão do acordo de compra da Embraer pela Boeing, também anunciada nesta manhã.

“Defendemos que o governo brasileiro cumpra o seu papel em favor da nossa soberania e reestatize a Embraer para que, diante dos efeitos colaterais a serem provocados pela ruptura do acordo, agravados pelas consequências econômicas causadas pela pandemia do coronavírus, os empregos e direitos dos trabalhadores sejam preservados integralmente”, diz a nota.

O sindicato informou ainda que, desde o início, posicionou-se contrário à venda da Embraer, porque a empresa é um patrimônio nacional estratégico para o país, que não precisa de parceiros internacionais para sobreviver.

Ainda de acordo com o sindicato, “Na transação que estava em curso, prevaleciam exclusivamente os interesses da Boeing, que pretendia sugar todo conhecimento e potencial da Embraer”. Sendo os interesses nacionais e dos trabalhadores brasileiros desprezados.

Prejuízo

Além disso, segundo o sindicato, o processo de venda custou à Embraer R$ 485 milhões em 2019, conforme demonstrativo financeiro da empresa. “Exigimos que este prejuízo seja ressarcido pela Boeing”, diz a nota.

Comunicado oficial da Embraer

Logo depois do anúncio da Boeing em rescindir o acordo com a Embraer, a empresa emitiu um comunicado oficial sobre a situação. Informou que “acredita firmemente que a Boeing rescindiu indevidamente o Acordo Global da Operação (MTA) e fabricou falsas alegações como pretexto para tentar evitar seus compromissos de fechar a transação e pagar à Embraer o preço de compra de U$ 4,2 bilhões. A empresa acredita que a Boeing adotou um padrão sistemático de atraso e violações repetidas ao MTA, devido à falta de vontade em concluir a transação, sua condição financeira, ao 737 MAX e outros problemas comerciais e de reputação”.

A Embraer disse ainda que “está em total conformidade com suas obrigações previstas no MTA e que cumpriu todas as condições necessárias previstas até 24 de abril de 2020”.

A empresa reforçou que buscará todas as medidas cabíveis contra a Boeing pelos danos sofridos como resultado do cancelamento indevido e da violação do MTA e que se mantém como “uma empresa bem-sucedida, eficiente, diversificada e verticalmente integrada, com histórico de sucesso no atendimento a clientes com produtos e serviços, construídos em uma base sólida de recursos industriais e de engenharia. A empresa é uma exportadora e desenvolvedora de tecnologia, com atuação global em aviação de defesa, executiva e comercial”.

Garantiu que os funcionários continuarão a oferecer aos clientes, produtos e serviços de alta qualidade dos quais dependem da Embraer, todos os dias.

“Nossa história de mais de 50 anos está alinhada com muitas vitórias, mas também com alguns momentos difíceis. Todos eles foram superados. E é exatamente isso que vamos fazer novamente. Superar esses desafios com força e determinação”, finalizou a Embraer na nota oficial.

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