Sommelier de cachaça é especialidade promissora em ano de Copa

Bebida genuinamente brasileira, na última década a cachaça vem derrubando preconceitos e revelando-se um produto de gosto refinado, cuja a variedade de aromas e sabores ganha adeptos de paladares exigentes. Aumentar a penetração do produto em ambientes mais requintados, como empórios e bistrôs, é o principal desafio do recém-lançado curso para formação de sommelier de cachaça, disponível no Senac São José dos Campos.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Bebida genuinamente brasileira, na última década a cachaça vem derrubando preconceitos e revelando-se uma opção de gosto refinado, cuja variedade de aromas e sabores ganha adeptos de paladares exigentes. Aumentar a penetração do produto em ambientes mais requintados, como empórios e bistrôs, é o principal desafio do recém-lançado curso para formação de sommelier de cachaça, disponível no Senac São José dos Campos.

Bebida deve ganhar mercado internacional com a Copa

Em ascensão, o mercado oferece oportunidades para profissionais que saibam explorar diferenças de composições e possibilidade de harmonização da bebida com a gastronomia. Assim como um sommelier de vinho, o especialista em cachaça pode atuar em bares, casas especializadas, restaurantes e consultorias.

De acordo com o professor responsável pelo curso, José Márcio Fernandes Cunha, a pinga é uma bebida que proporciona inúmeras combinações e ao contrário de outras famosas como o uísque, pode ser envelhecida em qualquer tipo de madeira, peculiaridade que concede ao produto uma grande abrangência de estilos.

“Essa característica faz dela (cachaça) uma bebida versátil, que se adapta a diferentes gostos e pode ser combinada com pratos de todos os tipos. Hoje há mais de 25 tipos de madeiras utilizadas para envelhecer o produto. Tamanha versatilidade é difícil de encontrar em outra bebida destilada”, afirma.

Internacionalização 
De acordo com Cunha, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 serão grandes vitrines para que a cachaça se solidifique como uma das bebidas destiladas mais consumidas do mundo. Para defender sua argumentação, o especialista lembra-se da Copa do México, em 1970.

“Antes disso ninguém conhecia a tequila. Hoje a bebida mexicana é consumida no mundo inteiro. O mercado para cachaça é promissor. Basta saber que duas marcas (Ipioca e Sagatiba) foram adquiridas em transações milionárias para gigantes mundiais do mercado de bebidas”, diz.

Os melhores rótulos são engarrafados em modestos alambiques que prezam a qualidade da produção artesanal em detrimento da produção em larga escala. Regiões como Minas Gerais e litoral do Rio de Janeiro – mais precisamente Paraty e proximidades – estão no mapa das melhores pingas do país.

“Neste panorama, o Vale do Paraíba também desponta como uma região promissora. Cidades como São Luiz do Paraitinga, Redenção da Serra, Arapeí e Caçapava produzem cachaças e são reconhecidas tanto no Brasil, quanto no exterior”, ressalta.

Reconhecimento 
Entretanto, o especialista alerta que os próprios estabelecimentos precisam melhorar a forma como tratam o produto. Segundo Cunha, alguns bares negligenciam a cachaça ao invés de oferecer a opção de forma adequada ao cliente.

“Quando o dono do estabelecimento conta com um profissional entendedor do assunto, tudo fica mais fácil. Os drinques se tornam mais saborosos e fica mais fácil agradar o gosto daqueles que ainda não aderiram à bebida”.

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