Sonho de mãe: “que meu filho tenha outra chance de ser honesto na vida”
O desejo de Maria das Graças Lopes dos Santos, 40 anos, para este Dia das Mães é apenas um: “quero que meu filho seja solto e tenha mais uma chance de ser honesto nesta vida”.


Maria das Graças espera a liberdade do filho como presente de Dia das Mães
Flávio Pereira/Meon
O desejo de Maria das Graças Lopes dos Santos, 40 anos, para este Dia das Mães é apenas um: “quero que meu filho seja solto e tenha mais uma chance de ser honesto nesta vida”.
Maria chamou a atenção da polícia e da mídia ao devolver o filho, que havia acabado de fugir da cadeia, na delegacia de Caçapava nesta sexta-feira (9).
Com outros sete garotos, W.L.S., 17 anos, rendeu o carcereiro, roubou uma pistola .40 de dentro da Delegacia da Infância e Juventude, em São José dos Campos, e fugiu por volta da meia-noite de sexta-feira (9).
Depois de escapar da Diju, o infrator foi para a via Dutra e pediu carona à um caminhoneiro que o levou até Caçapava, onde vive sua família. Lá, pediu abrigo.
Para surpresa da polícia, perto das 6h da manhã, Maria das Graças foi até o 1º DP de Caçapava apresentar o filho foragido. “Ao entregar o filho, ela disse que não concordava com que o ele fez”, diz o investigador Flamarion Batista Vitor, que classifica a atitude como “incomum”.
“Quando W. chegou aqui, logo perguntei o que estava fazendo. Já basta o desgosto de ser preso, agora quer ficar na cadeia para sempre? Não tive dúvidas de que o certo era levá-lo de volta. Ele me ouviu, pediu desculpas e voltou comigo sem reclamar”, conta a mãe.
Mãe solteira
A família de Maria das Graças é parecida com muitas outras pelo Brasil. Mãe solteira, educa sozinha seus sete filhos e os sustenta trabalhando em um restaurante em Caçapava. Além de W.L.S, tem mais três garotos e três meninas. Os mais novos com idades entre sete e dez anos.
Segundo a auxiliar de cozinha, o jovem -que ainda não tinha passagem pela polícia- foi preso por ter participado de um roubo no bairro em que moram no dia 5 de maio, um dia depois de seu aniversário. “Eu me mato para garantir tudo que posso para meus filhos. Consegui minha casinha pela CDHU e nunca imaginei que um filho iria ser preso um dia”, lamenta.
“Ele nunca havia dado trabalho. Está tudo confuso”, completa, antes de revelar que o adolescente teve uma história de sofrimento. Aos 12 anos foi atropelado e teve que retirar um rim, parte do fígado e do baço. Depois do trauma acabou desistindo dos estudos, mas ainda assim ajudava a cuidar dos irmãos e da casa.
Agora a mãe aguarda ansiosa pela audiência do filho, prevista para 20 de maio. “Ele me disse que se arrependeu, que foi a primeira e última vez. Nesse Dia das Mães, a única coisa que quero é que meu filho seja solto e tenha mais uma chance de ser honesto nesta vida”.
A fuga
“Foi um ato falho do carcereiro que entrou na cela sem cobertura de outro policial, com a intenção de dar remédio para um dos garotos. Apesar das pancadas e corte que sofreu, foram apenas escoriações leves e passa bem”, afirma Fábio de Carvalho Joaquim, delegado titular da Diju.
Dos oito adolescente foragidos, apenas o filho de Maria foi recapturado. O caso está sendo apurado pela corregedoria da Polícia Civil.
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