“Sou contra a parada no meio do ano”, diz vereador Willis Goulart

Para Willis, recesso parlamentar de julho deveria acontecer no fim do ano

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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20150707_willis goulart_sao jose dos campos_(Divulgação/CMSJC)

Para vereador, recesso parlamentar de julho deveria acontecer no fim do ano

Divulgação/CMSJC

Willis Bento Goulart nasceu em 4 de outubro de 1968, em São José dos Campos e aos 9 meses de idade contraiu paralisia infantil. Entrou na escola já com quase 9 anos de idade, mas foi pré-alfabetizado pelos próprios irmãos em casa.

O joseense passou por 14 cirurgias das quais 11 foram realizadas em São José dos Campos e três em São Paulo. Quando estava na 4ª série do Ensino Fundamental, ganhou um violão e, como não tinha condições de pagar um professor particular, começou a vender sorvetes nos portões do Senai, que fica no Santana, região norte da cidade, e a engraxar sapatos de seus vizinhos para pagar seus estudos.

Em 1989, Willis entrou no Conservatório Musical Santa Cecília, onde se formou músico. Em 2000, o joseense decidiu entrar para a política e ficou como suplente por duas oportunidades, em 2004 e 2008 -neste último ano, se tornou pai de gêmeas.

Em 2012, Willis foi eleito vereador, tornando-se o segundo cadeirante a assumir a câmara municipal como parlamentar na história de São José dos Campos. No Política: Fala aí! de hoje você vai conhecer um pouco mais do vereador, que também é o 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara e como Willis avalia seus dois anos e meio no Legislativo joseense.

Nesses dois anos e meio na Câmara, qual sua avaliação sobre o trabalho no Legislativo e quais as principais dificuldades para o vereador joseense?
O papel real do vereador que é criar lei e não fazer obras, muitas vezes as pessoas e os próprios vereadores confundem isso. As pessoas me procuram e pedem por obras, poda de árvore, etc, isso é comum e essa falta de entendimento é uma dificuldade. Nesse mandato, tive 29 projetos aprovados, então temos cumprido muito bem nosso papel. Também encontramos certa dificuldade na atuação desde quando me tornei oposição, quando assinei a CEI (Comissão Especial de Inquérito) do kit escolar, quando fui contra a taxa da lei de iluminação, contra a multa de R$ 1 mil no desperdício de água -não que eu seja contra a multa, mas R$ 1 mil é muito pra uma pessoa que não tem salário de R$ 1 mil reais. Também sou contra a parada no meio do ano (recesso legislativo de julho), seria justo mais para o final do ano, como todo trabalhador, temos que trabalhar todos os dias, como todos, e não terça e quinta [as sessão ordinárias em São José acontecem às terças e quintas-feiras].

Como o senhor avalia a acessibilidade para deficientes em São José?
Tem um vereador que foi para o Chile sobre mobilidade urbana para trazer modelos pra São José. Mas o Chile não é o local mais exato, temos Curitiba que é modelo para o mundo. Eu que ando de cadeira de rodas sei o quanto é complicado andar nas ruas, supermercados, lojas e comércio. Alguns estabelecimentos deixam mercadorias nas rampas de acessibilidade e impedem a passagem, são poucos que possuem banheiro adaptado.

E há políticas públicas voltadas para os deficientes físicos na cidade?
Ainda é precário, mas não só para deficiente físico, mas deficiente de uma forma geral, cadeirante é o que tem menos impacto entre os deficientes, algumas pessoas dependem de outras pessoas, como por exemplo, o deficiente visual. Por isso, criamos pelo menos seis projetos voltados para os deficientes, como a cota e vagas para deficientes em concursos públicos da Câmara, o que não tinha antes, e a doação de cadeira de rodas para quem tem poliomielite, entre outros. Mas ainda falta muito.

Recentemente, a discussão durante a votação das PPPs (Parcerias Público-Privadas) repercutiu na cidade. Como o senhor avalia tudo o quê aconteceu? Foi uma situação prejudicial para a imagem da Câmara e dos vereadores?
A Câmara é dividida em dois grupos, de 10 e 11 vereadores. Quando o grupo da situação percebeu que a votação seria pelo voto qualificado, o que determina uma votação a favor de pelo menos dois terços do total de vereadores -sendo necessário 14 votos favoráveis ao projeto- tiveram certo desequilibro. Me afastei [no momento da discussão] e aconteceu que o vereador passou pot trás da minha cadeira e do presidente, puxou o microfone dele, que se desequilibrou e caiu. Em seguida, teve assessor pulando em cima da mesa, enfim, foi uma situação complicada. Isso não é interessante pra cidade e só prejudica o andamento das coisas.

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