Sucesso do Cbers-4 deve acelerar liberação de recursos para o Inpe

Encarado como maior evento espacial da história brasileira, o lançamento do Cbers-4, satélite desenvolvido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em parceria com a China, é a aposta do instituto para alavancar os investimentos recebidos pelo MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação). O evento foi antecipado para o dia 7 de dezembro após o fracasso no lançamento do Cbers-3 em dezembro de 2013.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Equipe de pesquisadores trabalha no desenvolvimento dos sistemas

Divulgação/AEB

Encarado como maior evento espacial da história brasileira, o lançamento do Cbers-4, satélite desenvolvido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em parceria com a China, previsto para 7 de dezembro, é a aposta do instituto para alavancar os investimentos recebidos do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação). A data foi antecipada após o fracasso no lançamento do Cbers-3 em dezembro de 2013.

No dia 7 de agosto, durante cerimônia que marcou aniversário de 53 anos do Inpe, o ministro do MCTI, Clélio Campolina Diniz, afirmou que já encaminhou ao Ministério de Planejamento solicitação para novos investimentos na área de ciência e tecnologia. De acordo com Diniz, o Inpe teria prioridade para receber os recursos.

Com o bom funcionamento do Cbers-4, a expectativa do diretor do Inpe, Luiz Fernando Perondi, é que o sucesso do programa acelere a destinação dos novos recursos. O montante seria utilizado principalmente para renovar o quadro de servidores do Inpe, já que a média de idade dos pesquisadores é de 52 anos.

“O país é muito carente de eventos deste vulto e a colocação de um satélite com tamanha complexidade como o Cbers-4 faz com que a área ganhe bastante repercussão”, afirma.

Tecnologista sênior e conselheiro técnico-científico do Inpe, o pesquisador José Ângelo Neri é outro que relaciona o sucesso do Cbers-4 com a liberação de novos recursos para o Inpe.

“Dentro do instituto a expectativa é muito grande de que o projeto dê certo. É o principal trabalho do Inpe atualmente e o sucesso desse lançamento vai repercutir muito positivamente dentro do governo e mostrar que o investimento em ciência e tecnologia vale a pena”, diz.

De acordo com o diretor do Inpe, atualmente, a carência do instituto é de 400 servidores. A área de gestão é a que apresenta maior déficit. A realização dos concursos depende da liberação de verbas do MCTI.

Marco 
A tecnologia brasileira está presente em complexos sistemas acoplados ao Cbers-4. De acordo com Perondi, um dos principais exemplos é a câmera MUX (Câmera Multiespectral Regular). Contando com imagens de até 20 metros, a elaboração do sistema é considerada como um marco da ciência brasileira.

“Lá fora, quando um país consegue desenvolver essa câmera de alta complexidade, há comemoração. Eles festejam porque deter essa tecnologia é fundamental para o país. Os componentes desenvolvidos pelo Inpe vão levar o Brasil para um outro patamar tecnológico, demonstrando sofisticação que poucos países têm. Fornecer imagens do planeta com tecnologia própria é um marco para o país”, afirma.

O Cbers-4 conta com os mesmos recursos do Cbers-3, satélite que foi perdido depois de cerca de 30 minutos de funcionamento por falta de velocidade vertical do lançador, o que evitou a entrada do aparelho em órbita. “Foram apenas 30 minutos, mas já deu para constatar que com o satélite tudo estava funcionando. Isso nos deixa muito esperançosos para o próximo lançamento”, conclui.

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