Suecos querem participação do ITA, de São José, no programa FX-2

Brasil comprou 36 caças da Suécia; empresas de S. José estão envolvidas

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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20140505_Gripen NG_Embraer_(Divulgação/Flickr/Saab AG)

Brasil comprou 36 caças da Suécia; empresas de S. José estão envolvidas

Divulgação/Flickr/Saab AG

O grupo financeiro sueco SEB (Skandinaviska Enskilda Banken), quer a participação do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), de São José dos Campos, no programa FX-2, que envolve a compra de 36 caças da Suécia por parte do Governo Federal brasileiro.

Na semana passada, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, recebeu o presidente do Conselho de Administração do SEB, Marcus Wallenberg, para tratar do processo de transferência de tecnologia associada ao desenvolvimento dos aviões de combate Gripen NG, do programa FX-2.

Segundo Wallenberg, o grupo ofereceu uma cadeira ao ITA, “o primeiro passo das nossas relações de longo prazo, como um símbolo da nossa intenção de trazer mais conhecimento em áreas de aeronáutica”, disse.

De acordo com o secretário executivo do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), Alvaro Prata, com a cadeira, a SEB financiará o trabalho de um cientista sueco no ITA por determinado período, “fazendo pesquisa, orientando alunos, ministrando cursos e atuando em laboratório na área de engenharia aeronáutica”, afirma.

Em 2013, o governo federal anunciou a compra de 36 caças para a FAB (Força Aérea Brasileira), adquiridos da empresa Saab, controlada pelo grupo SEB. Desde então, empresas de São José dos Campos, como a Embraer e a Akaer, já foram citadas no projeto.

Ainda de acordo com Wallenberg, a SEB prioriza a aeronáutica como área de pesquisa aplicada e o projeto de desenvolvimento dos caças deve ocorrer nos dois países, paralelamente. “A Saab levará 150 engenheiros e técnicos brasileiros para a Suécia, onde poderão estudar a tecnologia da aeronave. Isso é necessário justamente para que ao voltar possam e executar toda a parte de fabricação, montagem e desenvolvimento”, detalhou.

O executivo destacou a “larga experiência brasileira” na produção de aeronaves comerciais e defendeu que a cooperação bilateral pode ajudar a trazer para a indústria nacional a última geração de tecnologia de defesa. “Essa relação estratégica que se inicia deve durar pelo menos 30 anos. É um projeto que, como todo caça, tem um desenvolvimento contínuo, motivo pelo qual precisamos trazer indústria e universidades a bordo da iniciativa”, completou.

Programa FX-2
Denominado FX-2, o programa prevê o desenvolvimento e incorporação de 36 aviões à Aeronáutica. O contrato é avaliado em quase 39,3 bilhões de coroas suecas (US$ 5,44 bilhões) e inclui 28 caças de um assento e outros oito de dois assentos.

A Saab também fechou um acordo para a transferência de tecnologia para a indústria brasileira ao longo de dez anos. De acordo com o compromisso inicial da oferta sueca, nos próximos anos, a indústria brasileira deve assumir cerca de 80% do projeto e da produção das aeronaves.

Em maio do ano passado, a FAB (Força Aérea Brasileira) confirmou que os caças suecos poderão ser montados na Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), com sede em São José dos Campos.

Há quatro anos, a Saab comprou 15% da Akaer de São José dos Campos. Com isso, a empresa joseense também deve participar da montagem, com a simulação de todos os componentes digitais e eletrônicos do avião, o que vai capacitar técnicos da FAB e Embraer a fazer suas próprias programações.

As primeiras unidades chegam no país em 2016 e a previsão é que a partir da quinta aeronave, todas sejam montadas no Brasil com peças nacionais. A ideia é que todo o conhecimento de integração de sistemas seja repassado para o Brasil.

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