Temer diz que transferência de controle da Embraer não foi cogitada
Em meio ao anúncio de negociações entre a Embraer e a norte-americana Boeing, o presidente Michel Temer disse que não está em cogitação a transferência de controle da empresa brasileira. Em café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira, 22, Temer disse que toda parceria é bem-vinda, mas que a transferência do controle não é examinada. “A…


Em meio ao anúncio de negociações entre a Embraer e a norte-americana Boeing, o presidente Michel Temer disse que não está em cogitação a transferência de controle da empresa brasileira. Em café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira, 22, Temer disse que toda parceria é bem-vinda, mas que a transferência do controle não é examinada.
“A participação estrangeira na Embraer é muito intensa, se nesta altura ampliasse a participação estrangeira, tanto melhor. Mas não há a menor cogitação de vendermos o controle para outra empresa”, afirmou.
Questionado se o governo utilizará o poder da “golden share” para vetar a operação, Temer disse que o assunto ainda não chegou a seu gabinete oficialmente. “Quando chegar a mim, examinarei”.
Nas declarações, o governo se preocupou em deixar as portas abertas à parceria – e aos investimentos que ela pode trazer – mas frisou que a transferência de controle não é possível pela participação da Embraer em decisões estratégicas para a defesa e soberania nacional. “Evidentemente que a injeção desse capital será muito bem vinda, mas não se examina a questão da transferência”, reforçou Temer.
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, que também participou do café da manhã, disse que a Boeing procurou a Embraer para negociações em um contexto de reestruturação global da indústria aeronáutica, que levou, por exemplo, à associação entre a Air Bus e a Bombardier. Ele afirmou que, com exceção da venda do controle, toda parceria é bem-vinda.
“Nossa posição é favorável a essa e outras parcerias”, afirmou. “Entretanto, nós temos a exata compreensão de que a Embraer, por ter forte componente defesa, sua venda e a transferência de controle acionário desserve o interesse e soberania nacional”.
Jungmann frisou que não se trata de nacionalismo e que este é um governo “pró-mercado”, mas, nesse caso, a transferência do controle passaria a uma empresa estrangeira o controle sobre decisões estratégicas, como em projetos de construção de caças e dos super-tucanos. “Esse núcleo de tecnologia, inovação e investimento está relacionado à soberania nacional e nenhum país abre mão disso”, completou.
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