Testemunhas e vítima de queda de helicóptero em Ubatuba relatam drama
Aeronave atingiu e matou um pedestre na terça-feira

A turista que sobreviveu à queda de um helicóptero em Ubatuba e testemunhas do acidente relatam como foi o momento em que a aeronave caiu e matou Alessandro Correia Leite, de 42 anos, na manhã de terça-feira, primeiro dia de 2019. Leite estava em frente de casa quando foi atingido pela aeronave e morreu no local.
O acidente com o helicóptero Robinson modelo 44 (R44 PR-RMZ) não deve ser esquecido tão cedo pelo casal Sandra Maria de Almeida, 66 anos, e Ademir Neves de Almeida, 62. Eles tinham acabado de conversar com Alessandro Leite quando a aeronave surgiu.

Sandra Ademir de Almeida
Foto:Oneir Aparecido Caçador
“Eu vi ele [helicóptero] baixando e batendo na árvore em frente à minha casa (rua Rodrigues de Abreu, Itaguá) e falei ‘vai cair’. Aí eu gritei”, conta dona Sandra. Ela relata que no primeiro momento pensou que ele ia pegar fogo e começou a gritar alto para que pudessem tirar as pessoas que estavam lá dentro.
Ainda abalada com o acidente, ela conta que pensou que fosse morrer. “Ver o helicóptero caindo na minha frente, de cheio, eu podia estar morta ali”.
“Conhecia o Alessandro desde pequenininho. Ele veio em frente à minha loja e perguntou se eu não ia abrir. Contou que seu ano foi difícil. Conversamos por cerca de meia hora e fui buscar dois pedaços de torta para ele. que saiu andando. Menos de dois segundos eu e meu marido escutamos um barulhão, vimos ele caindo e atingindo o Alessandro. Só tinha ele na rua. Acertou ele de costas”.
Seu Ademir também ficou assustado com o que presenciou. “Escutei o estrondo e pensei que fosse tiroteio. Quando virei vi o que tinha acontecido”.
Quem também esteve no local do acidente foi o jornalista Oneir Aparecido Caçador, 69 anos, morador de Bauru, que passava as férias em Ubatuba. “Estava na rua, uns 400 metros do local do acidente e quando cheguei os passageiros e o piloto estavam dentro do helicóptero”.
Por coincidência, o casal que estava no helicóptero também é de Bauru, embora Caçador não os conhecesse. “Eu falei com eles quando ainda estavam no helicóptero e percebi que estavam bem”.
O casal Vivian Carolina Cataldo, 34 anos, e Paulo Thiago Alves, 38 anos, e o piloto, que não teve o nome revelado, foram levados para a Santa Casa de Ubatuba. Alves teve rompimento de uma das córneas e foi transferido para o Hospital Regional de Taubaté.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, de Bauru, Vivian contou os momentos que se sucederam à queda da aeronave. Ela filmava o voo panorâmico quando teve a pane e consequente queda.
“Foi muito rápido, não consegui pensar em nada. Quando me dei conta do que tinha acontecido, já estávamos no chão. Só aí bateu o desespero”.
Segundo ela, o voo durou cerca de um minuto. “Logo que ganhamos altura, acendeu uma luz vermelha e o alarme do painel começou a apitar. O piloto, provavelmente para não nos deixar mais apavorados, não falou nada. Foram poucos segundos até o helicóptero cair e já não vimos mais nada”, relatou ao jornalista de Bauru.

Vivian Carolina Cataldo e Paulo Thiago Alves, casal e piloto sobreviveram à queda do helicóptero
o
“Passamos entre dois prédios e, em seguida, caímos, atingindo um pedestre que estava na calçada e que morreu na hora. Nós nascemos de novo”. Ela contou ainda que o piloto conseguiu evitar a colisão da aeronave com prédios residenciais do bairro.
O casal programava retornar a Bauru nesta quinta-feira (3). O corpo de Alessandro foi enterrado na quarta-feira (2), em Ubatuba. A família disse estar abalada e preferiu não comentar.







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