Trabalhadores da GM aprovam layoff para 1.500 a partir do dia 5
Impasse que já durava quase dois meses chega ao fim


Layoff começa no dia 5 de junho e segue até 4 de novembro
Pedro Ivo Prates/Meon
Os trabalhadores dos dois turnos da fábrica da GM em São José dos Campos aprovaram por maioria, durante assembleia na tarde desta terça-feira (16), a proposta de layoff apresentada pela montadora. O acordo põe fim ao impasse que já durava quase dois meses.
De acordo com a proposta aprovada, a montadora ofereceu a estabilidade de emprego de três meses aos trabalhadores, atendendo à principal reivindicação do sindicato que, desde o início das negociações, atrelava o acordo a essa garantia.
O acordo prevê a suspensão dos contratos de trabalho de até 1.500 trabalhadores da unidade no período de 5 de junho a 4 de novembro. A estabilidade fica garantida até fevereiro de 2018.
Para o secretário-geral do Sindicato, Renato de Almeida, o processo de negociação foi bem longo porque “o layoff nunca é bom para os trabalhadores”.
“Mas fechamos o acordo porque a GM concordou em dar estabilidade. Os trabalhadores que tiverem os contratos suspensos têm a garantia que voltarão para a fábrica”, disse. Segundo os sindicalistas, os trabalhadores que forem incluídos no layoff farão cursos de qualificação e vão continuar recebendo os salários integralmente, que serão pagos por meio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Os cerca de 500 funcionários temporários que atuam na montadora também terão seus contratos renovados.
O acordo ainda contempla a possibilidade da abertura de um PDV (Plano de Demissão Voluntária) pela GM.
Benefícios
O pagamento da primeira parcela do 13º salário, que historicamente é feito no mês de março pela montadora, será pago nesta sexta-feira (19) aos trabalhadores.
Durante seu discurso na assembleia, o presidente do Sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, atacou o atraso do benefício.
“É uma ferramenta da empresa para pressionar o sindicato a afrouxar a negociação. Assim, quando o funcionário encontra com a gente, pressionam para aceitar o layoff para que caia o 13º na conta”, diz.
Segundo Macapá, o próximo passo agora é a negociação da PLR (Participação dos Lucros e Resultados), que também deve ser difícil.
“As negociações da PLR começam nas próximas semanas e sabemos que a fábrica vai dificultar. Mas vamos seguir na linha de defesa do direito dos trabalhadores e não vamos aceitar qualquer coisa”, disse.
Outra boa notícia recebida pelos trabalhadores é o pagamento do 13º salário nesta sexta-feira (19). “Tradicionalmente a GM já faz essa antecipação do 13º. Mas a empresa estava segurando o pagamento, para pressionar o acordo”, disse Macapá.
Entenda
O impasse entre sindicato e montadora vinha se arrastando desde o final de março.
De um lado, a montadora alegava que precisava suspender os contratos por um período, por conta da baixa nas vendas. De outro, o Sindicato afirmava estar aberto às negociações mas exigia a garantia de estabilidade dos trabalhadores como condicionante para a assinatura do acordo.
A GM chegou a recorrer ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho), alegando intransigência do Sindicato. No entanto, em reunião no TRT na última terça-feira (9), a GM pediu prazo de 48 horas para apresentar uma nova proposta. Prazo terminou na sexta-feira.
No final do mês passado, a montadora já deu sinais de endurecimento do discurso: enviou comunicado aos funcionários ameaçando demitir os 1.600 trabalhadores considerados excedentes caso o acordo de layoff fosse rejeitado. Em meio ao impasse, a GM programou paradas na unidade para “adequar” o volume de produção à demanda do mercado.
Foram concedidas ao todo oito folgas (conhecidas ‘day off’) nas últimas semanas. Somente nesta segunda-feira (15), Sindicato e GM conseguiram chegar a um acordo, que foi aprovado hoje.
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