Transposição do Paraíba pode ser favorável para região, diz especialista
Em períodos de seca, RMVale poderá recorrer ao Sistema Cantareira


Bacia do Paraíba, que corta SP, MG e RJ, abastece 15 milhões de pessoas
Arquivo/Jornal Atos
A ANA (Agência Nacional de Águas) já assinalou como possível a transposição do Rio Paraíba do Sul. A medida tem enfrentado resistência, mas um especialista da região aponta que a medida pode ser benéfica para as duas regiões. O projeto do governo estadual prevê a transferência de cinco mil litros por segundo a partir da região de Jacareí até a bacia do rio Atibainha, ligado ao sistema Cantareira.
O hidrólogo da Universidade de Taubaté, Marcelo Targa, explica que o sistema seria de mão dupla, ou seja, caso as cidades do Vale enfrentem longos períodos de estiagem, assim como o ocorrido na capital, também será possível levar água do Cantareira para o Rio Paraíba.
As cidades que captam água do Paraíba, como Aparecida, não seriam prejudicadas com a diminuição. O especialista analisou que durante o percurso do rio há varias outras nascentes que alimentam o Paraíba, o que não ocasionaria grandes prejuízos no abastecimento dessas cidades. “Até chegar às cidades que captam do Paraíba, outros afluentes vão engrossando a vazão”, afirmou.
A crise hídrica tem afetado cerca de 13 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo. Em março, o Governo do Estado anunciou o projeto para a recuperação do manancial em crise. Além do território paulista, a Bacia do Rio Paraíba corta os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, abastecendo 15 milhões de pessoas em 184 municípios.
Outro aspecto importante seria a diminuição das enchentes em períodos de grandes chuvas. A obra possibilitaria que nas cheias, quando for necessária a abertura das comportas do sistema, parte da água do Cantareira fosse transportada para o Vale, evitando alagamentos nas cidades situadas abaixo da represa.
Para evitar longos períodos de estiagem o hidrólogo alerta para que um monitoramento constante seja realizado. “É importante um monitoramento automático do rio, para dosar a quantidade da vazão. Os recursos seriam liberados das represas conforme a necessidade dos municípios”, explicou.
As obras para a transposição contemplam um trecho de 15 quilômetros entre as cidades de Jacareí e Igaratá. A água só será transferida para a bacia do Atibainha quando o volume da represa for inferior a 35%.
A estrutura para a transposição deve ficar pronta em 14 meses e custará cerca de R$ 500 milhões.
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