Uso de volume morto obriga ONS desativar hidroelétrica de Paraibuna
ANA define regras da operação da reserva técnica da represa na RMVale


Represa de Paraibuna atinge volume morto
Flávio Pereira/Meon
A represa de Paraibuna na Bacia do Rio Paraíba do Sul começou a usar nesta quinta-feira (22) o volume morto. Com isso, a hidroelétrica ligada ao reservatório deixa de operar e a vazão passa a servir exclusivamente ao abastecimento da RMVale e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas), as regras para a utilização da reserva técnica permanecem as mesmas em vigência. Ou seja, não haverá mudanças na vazão diária ou obras para liberação da água do manancial.
No entanto, a agência não descarta a possibilidade de alterar as regras e que se necessário irá promover mudanças em articulação com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), os órgãos gestores de recursos hídricos dos estados que compartilham a Bacia – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e o Ceivap (Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul).
Volume Morto
O volume localizado abaixo do limite operacional das usinas hidrelétricas é conhecido como volume morto. Diferente do uso da reserva técnica do Sistema Cantareira, onde foram necessárias obras para a instalação de bombas capazes de acessar o volume abaixo do limite operacional daqueles reservatórios, no Paraíba do Sul a gravidade garante o acesso à água.
Paraibuna
A represa de Paraibuna foi criada na década de 70 e é formada pelo armazenamento das águas dos rios Paraibuna e Paraitinga. Ela é a cabeceira do Rio Paraíba do Sul e um dos maiores reservatórios do Estado de São Paulo. A atual crise é a maior seca já vivida no reservatório e preocupa especialistas.
De acordo com o geólogo e especialista em recursos hídricos da Ceivap, Edilson de Paula Andrade, na situação em que se encontra, a represa de Paraibuna levará anos para atingir novamente um nível considerado satisfatório.
“Talvez uns cinco anos ou mais, não tem que como ser preciso. Para chegar aos 80%, que é o ideal, precisamos de chuvas, e as previsões para os próximos anos não garantem água suficiente para repor este e os outros reservatórios. O melhor é adotar medidas de prevenção o quanto antes”, explica.
Além do nível do Rio Paraíba do Sul, o baixo volume útil de água na represa também representa um impacto na economia de cidades que ficam à beira do reservatório. “Natividade e Redenção da Serra sofrem neste período porque perdem nas atividades de pesca e turismo, baseados na represa. Outro problema são as erosões nas margens já secas que prejudicam e muito o reservatório”, conclui Andrade.
Segundo dados do ONS, a reserva técnica total de Paraibuna é de 2.096 hm³, o que equivale a 2,096 trilhões de litros de água. O volume total da parte da represa acessível por gravidade ainda está sendo estudado pelo ONS e o operador do reservatório e deve ser divulgado em breve.
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