Usuários do transporte público de São José relatam receio de andar de ônibus durante a pandemia

Nesta segunda-feira (28) a Justiça determinou que mais ônibus sejam colocados à disposição dos usuários

Escrito por: Vinicius Assis3 min de leitura
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Divulgação/Claudio Vieira/PMSJC
Algumas linhas estão com horários reduzidos por conta da pandemia de Covid-19 (Divulgação/Claudio Vieira/PMSJC)

Com a pandemia de Covid-19, as autoridades de saúde recomendam evitar as aglomerações para prevenir o contágio da doença. Apesar disso, em alguns lugares, manter o distanciamento é praticamente impossível, principalmente no transporte público. Usuários dos ônibus de São José dos Campos relataram o receio de usar o serviço em meio a pandemia.

Lorrane Figueiredo usa a linha 240, que liga o bairro Novo Horizonte na zona leste ao Campo dos Alemães na zona sul da cidade, de segunda a  sexta e não se sente segura no transporte. “Falam para manter 1,5 m de distância, mas como você faz isso dentro de um ônibus? Não tem distanciamento de bancos, você pode sentar em todos”, afirma a estudante.

Ela também contou o que poderia ser feito para que o transporte público se tornasse mais seguro em termos de saúde para os usuários. “Deveriam permitir apenas uma quantidade de pessoas para que não haja essa superlotação. Seria necessário uma maior quantidade de ônibus, por isso, acho que o adequado era manter uma quantidade dobrada de ônibus nos horários de pico, que são os mais afetados”.

Apesar disso, Lorrane também afirmou que existem alguns protocolos dentro dos veículos, mas que eles poderiam ser mais eficazes caso os usuários respeitassem as normas dentro e fora dos ônibus. “Eles mantêm todas as janelas abertas e possuem álcool em gel nas catracas, além de não poder entrar sem máscara, mas não me sinto segura porque eu não sei se quem anda do meu lado se cuida da mesma maneira que eu”, conta.

O receio de Lorrane é o mesmo de Henrique Mahé, que usa as linhas 215 e 231, ambas ligam a zona oeste à zona leste da cidade. Henrique se queixou da diminuição dos itinerários. “A diminuição acabou afetando na quantidade de pessoas no ônibus, tem menos ônibus, mas a mesma quantidade de pessoas precisa deles”, conta.

Mahé também falou do medo que sente de se infectar com a Covid-19 quanto anda de ônibus. “Fico com medo principalmente porque tenho a minha imunidade baixa por uns problemas de saúde e porque existem pessoas em casa em grupo de risco, posso me infectar, infectar as pessoas da minha casa e qualquer outra pessoa, eu tento tomar o máximo de cuidado, mas não sei disso das outras pessoas”.

Apesar do receio, Henrique também afirmou que há um conflito de interesses no caso, já que a solução mais viável para as empresas de ônibus não é a melhor para os usuários. “Já como tudo diminuiu, poder de compra, gastos e tudo mais, foi dado a ideia de que a frota de ônibus deveria diminuir, mas isso para reduzir o custo das empresas e tentar se manter com um lucro, trazer uma frota de ônibus maior seria um solução viável para a população, mas não para as companhias”.

Os pedidos por mais ônibus nas frotas feitos por Lorrane e Henrique foram atendidos, pelo menos parcialmente. Na manhã desta segunda-feira (28) a Justiça determinou que a prefeitura disponibilize mais veículos para o transporte público na cidade em algumas linhas. O prazo para a administração municipal atender a determinação é de três dias.

Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos disse que ainda não foi notificada da decisão.

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