Vale do Paraíba registra mais de 8 mil violações de direitos contra idosos em apenas cinco meses

Junho Violeta reforça alerta para casos de negligência, violência psicológica, agressões físicas e abusos financeiros na região

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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O Vale do Paraíba registrou 8.076 violações de direitos contra pessoas idosas entre janeiro e maio de 2026. Os dados são da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e abrangem os 39 municípios da região.

De acordo com o levantamento, foram contabilizadas 1.378 denúncias no período. A partir desses registros, os órgãos responsáveis realizaram 890 atendimentos e identificaram milhares de violações, incluindo casos de negligência, violência psicológica, agressões físicas, abandono e exploração financeira.

Os números ganham ainda mais relevância durante o Junho Violeta, campanha nacional de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa. A iniciativa busca alertar a população sobre os diferentes tipos de abuso sofridos por idosos e incentivar a denúncia de situações de violência.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade Anhanguera, Ellen Santos, o envelhecimento da população brasileira torna o debate cada vez mais necessário.

“Essa é a proposta do Junho Violeta: chamar a atenção para as diferentes formas de violência praticadas contra a pessoa idosa e incentivar a prevenção e o combate a essas situações”, destaca.

Além dos casos de violência física, os registros incluem abuso psicológico, negligência, abandono, violência patrimonial, abuso financeiro, violência sexual, discriminação e violência institucional.

A especialista explica que muitos idosos se encontram em situação de vulnerabilidade devido à dependência de terceiros para atividades cotidianas, o que pode aumentar o risco de sofrer abusos.

“Em muitos casos, a pessoa idosa depende de terceiros para atividades básicas do dia a dia, o que pode aumentar sua exposição a situações de abuso. Por isso, é importante que familiares, vizinhos e a comunidade estejam atentos aos sinais de violência”, afirma Ellen Santos.

O cenário acompanha uma tendência nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui atualmente cerca de 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando aproximadamente 16,6% da população.

Para especialistas, a denúncia continua sendo uma das principais ferramentas para interromper os ciclos de violência e garantir a proteção das vítimas.

“A denúncia permite a atuação das autoridades, contribui para responsabilizar os agressores e ajuda a evitar que novos casos aconteçam. O cuidado com a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva, não apenas dos órgãos públicos, mas de toda a sociedade”, ressalta a coordenadora.

A legislação brasileira prevê mecanismos específicos para a proteção da população idosa. Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados por meio do Disque 100, que funciona 24 horas por dia, além dos canais da Polícia Militar (190), Polícia Civil (197) e Ministério Público.

O Junho Violeta reforça a necessidade de conscientização e mobilização da sociedade para garantir o respeito, a dignidade e a proteção dos direitos das pessoas idosas.

Foto: Freepik

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