Vans querem espaço em programas de mobilidade urbana de São José
Na semana em que a prefeitura de São José dos Campos abriu um edital de R$ 800 milhões para a instalação do sistema BRT (sigla em inglês para Ônibus de Trânsito Rápido) -aqui batizado de Mobi- representantes do transporte alternativo se mobilizam para não ficar de fora dos programas de mobilidade urbana da prefeitura.


Sem bilhetagem eletrônica, transporte alternativo perdeu cerca de 70% dos passageiros
Flávio Pereira/Meon
Na semana em que a Prefeitura de São José dos Campos abriu um edital de R$ 800 milhões para a instalação do sistema BRT (sigla em inglês para Ônibus de Trânsito Rápido) -aqui batizado de Mobi- representantes do transporte alternativo se mobilizam para não ficar de fora dos programas de mobilidade urbana do Executivo.
Sem o recurso da bilhetagem eletrônica, as 80 vans que têm concessão para realizar transporte coletivo chegam a perder cerca de 70% dos passageiros em algumas linhas. Desde julho do ano passado, usuários com o bilhete podem fazer mais de uma viagem gastando apenas o valor de uma passagem por um período de duas horas. Mas o benefício é previsto apenas para os ônibus.
A Cotral (Cooperativa de Transporte Alternativo de São José dos Campos) vem articulando medidas para passar a contar com a bilhetagem. De acordo com a advogada da entidade, Daniela Marquini Sacchini, a maior dificuldade é adaptar um modelo que possa ser utilizado nas vans.
“A cooperativa tem se reunido constantemente para pensar em adaptações necessárias para começarmos a fazer parte da bilhetagem eletrônica. Atualmente o foco está em criar um registro de pessoa jurídica, já que as concessões são à pessoas físicas, o que nos impede de formalizar um contrato para receber o serviço de bilhetagem eletrônica”, diz.
Em São José, o transporte alternativo é regulamentado pela Lei Municipal 4417/93, que prevê concessões aos motoristas e regula horários e rotas de cada linha. Para a advogada, o relacionamento entre a cooperativa e a prefeitura tem sido amistoso nos últimos anos. Daniela acredita que, por ser um direito garantido pela legislação municipal, os alternativos merecem seu espaço em meio às mudanças no transporte público da cidade.
“Acredito que teremos mais espaço a medida que nos organizarmos melhor. Nossa relação com a Secretaria de Transportes é muito positiva e vamos continuar conversando para buscar as melhores soluções. Tenho certeza que em breve poderemos apresentar boas novidades”, afirma.
Crise
Enquanto as adaptações não vêm, os motoristas sentem, no bolso, os reflexos da perda de passageiros. De acordo com os profissionais, alguns até já teriam deixado a atividade por causa da falta de usuários.
“A gente acaba ficando com os poucos passageiros que, ou não têm o bilhete, ou perderam o horário do ônibus e estão com pressa para chegar no destino. Alguns inclusive já deixaram o posto”, afirma um motorista que preferiu não se identificar.
Questionada, a Secretaria de Transportes informou que o transporte alternativo é regido por uma lei específica que estabelece as regras para o serviço e desta forma, “as definições futuras para o sistema de transporte devem levar em conta tais características, bem como as regras estabelecidas no contrato de concessão”.
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