“Olha a tapioca da Pauleteh, tapioca doce, tapioca salgada, quem come repete, tapioca da Pauleteh”. Com este bordão divertido, Pauleteh Araújo, de 26 anos, caminha pela Praia de Juquehy, em São Sebastião, com seu carrinho de tapioca. Ela chama atenção não só pela altura e estilo, mas principalmente pelo carisma e bom humor ao tratar as pessoas que encontra pela praia.
Nesta semana, Pauleteh postou um anúncio de emprego temporário que viralizou na internet, é que as vagas são voltadas, principalmente, para pessoas LGBTQIA+.
Leia MaisCarnaval: confira o que abre e fecha no comércio e repartições públicas da regiãoFreakout – A maior balada de Sanja entra em ritmo de CarnavalCover oficial do Queen marca presença em teatro de São José neste sábado (26)A preocupação social de Pauleteh começou bem antes desse anúncio. Em 2020, no auge da crise agravada pela pandemia de Covid-19, ela abaixou o preço da tapioca. Quem não tivesse condição de pagar, poderia comer até duas de graça.
“Essa campanha começou no início da pandemia, como muitos comércios precisaram fechar as portas, diversas pessoas ficaram sem fonte de renda e assim começaram a passar fome. Eu tenho uma ligação muito forte com a comunidade em que eu vivo e muitas pessoas me procuram pra pedir ajuda. Essa foi a forma que eu encontrei de poder ajudar. A campanha aconteceu até a normalização das atividades econômicas da cidade em que as pessoas puderam voltar a trabalhar”.

Será que a vendedora teve prejuízo financeiro com a boa ação? Segundo ela, não. “Criei uma vaquinha on-line e consegui arrecadar mais de R$15 mil, o que pagou todas as despesas”, contou. Questionada sobre o que a motiva a pensar nas outras pessoas, ela não hesita. “Eu preciso ajudar as pessoas porque eu tive uma infância de muita fome. Já que hoje eu tenho alguma visibilidade através das redes sociais, eu quero usar esse engajamento para fazer algo que preste. Eu não consigo ver as coisas acontecendo ao meu redor e não fazer nada”.
Mesmo hoje, que a abertura de comércios e serviços já foi retomada, a comerciante conta com seus amigos e conhecidos para distribuir cestas básicas a famílias carentes da área.

A infância a que ela se referiu teve cenário em Salvador, onde nasceu. “Eu comecei a trabalhar com sete anos de idade, vendendo produtos de limpeza pra uma moça do bairro de porta em porta. Nessa época, eu ganhava R$1 por dia. Também já fui cobradora de ônibus, feirante, caixa de supermercado, ajudante de cozinha, vendedora de picolé... Entre outros. O importante pra mim sempre foi estar trabalhando pra ajudar nas despesas de casa e também e também poder comprar alimentos e produtos de higiene pessoal. Quando eu saí de Salvador, tinha nove anos e fui morar na capital de São Paulo. Com 17 anos, pouco tempo depois de eu me assumir pra minha mãe, ela pediu para que eu viesse pra São Sebastião morar com o meu pai. Morei com ele até os 19”, relatou.

Os requisitos para as vagas são “estar sempre ligado, ser sempre simpático e educado com os clientes. Ser pontual e ágil”, além de ajudar com o carrinho, produção e venda das tapiocas. Em troca, ela paga R$1.200 pelos seis dias de trabalho e oferece alojamento e banca a passagem para quem morar no Rio ou São Paulo. O anúncio não diz isso com palavras, mas foca principalmente na comunidade LGBTQIA+.
“Eu tenho outros colaboradores que não são LGBTQIA+, e a única exigência que eu faço para a candidatura é que a pessoa seja comunicativa, carismática e tenha um bom atendimento ao público. Mas, devo admitir que é no público LGBTQIA+ que eu consigo melhor encontrar essas características. São pessoas muitas vezes rejeitadas no mercado de trabalho mas que tem um potencial gigantesco. Pela falta de oportunidades, muitas vezes o que resta para essas pessoas é a prostituição, principalmente as travestis e transexuais. Precisamos mudar essas estatísticas e toda iniciativa é importante”, explicou.

A comerciante conhece essa realidade na pele. “Como eu fui me descobrindo e me desenvolvendo como travesti, as portas de trabalho começaram a se fechar pra mim, então eu tive a ideia de eu mesma criar a minha oportunidade de emprego, e foi aí que em 2014 eu criei a tapioca da Pauleteh. Tenho recebido centenas de candidaturas de todas as regiões do Brasil. Principalmente de São José dos Campos, São Paulo e Rio de janeiro”.
Com atitude positiva, força de vontade e ajuda das pessoas, Pauleteh pode estar perto de realizar um grande projeto. “Meu maior sonho é ver a Tapioca da Pauleteh crescendo e atendendo em outras praias e regiões. Eu vejo um grande potencial para que isso aconteça e nos últimos anos, com a popularização da Tapioca da Pauleteh, esse sonho está cada dia mais possível de se realizar”.
Veja mais vídeos da vendedora no Youtube do Portal Meon.

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