Vereadores querem acompanhar investigação do caso de adolescente morto em conflito com a PM em S.José

Situação e oposição se uniram para pedir a abertura de comissão especial

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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Suspeitos invadiram uma estrutura de parque de diversões no Campo dos Alemães

foto: Ocorrências 24 horas

Seis vereadores de São José dos Campo pediram a abertura de uma comissão especial para acompanhar as investigações do caso da morte de um adolescente, 12 anos, durante um conflito com a Polícia Militar em um Parque de Diversões no bairro Campo dos Alemães, zona sul. O pedido deve ser votado em sessão ordinária na Câmara Municipal nesta terça-feira (22).

O requerimento foi pelos vereadores: Amélia Naomi (PT), Juliana Fraga (PT), Flávia Carvalho (Republicanos), Dulce Rita (PSDB), Renata Paiva (PSD) e Wagner Balieiro (PT). O documento afirma que “[…] é imprescindível apurar os fatos e as circunstâncias desta ocorrência onde um adolescente de apenas 12 anos teve sua morte decretada de forma violenta”.

Os vereadores querem acompanhar as investigações da Ouvidoria da Polícia e Corregedoria da PM. Para a vereadora Amélia Naomi, é de suma importância os parlamentares acompanharem as investigações do caso não só para fiscalizar, mas também para criação de politicas públicas para evitar casos como este.

“A Comissão é importante, pois é dever do poder público não somente acompanhar as apurações do caso, mas também a partir das necessidades da região, que é o Campo dos Alemães […]. Lógico que cabe ao Estado apurar e punir os excessos, mas isso não pode justificar as eliminações que infelizmente tem ocorrido no local”, afirma Amélia.

Segundo a vereadora Renata Paiva, a intenção é acompanhar as investigações para apurar se houve ou não abuso de autoridade por parte da polícia. A vereadora diz ainda que é preciso cautela para não “[…] condenar um homem no exercício da função [policial] sem que antes todos os fatos sejam apurados pelos profissionais e órgãos competentes”.

Um fator agravante do caso é uma denúncia da mãe do menino que disse que o autor dos disparos, um cabo da PM, teria mandado ela comprar um caixão para o filho dias antes do fato. A corregedoria da PM está investigando o caso e os policiais envolvidos foram afastados do cargo.

Neste domingo (20), um grupo fez um protesto contra as mortes em decorrência de violência policial na região. A manifestação aconteceu próximo a igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no bairro Campo dos Alemães, na rua paralela a feira livre, e foi organizado pela Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio, CEDECA (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente) e a AFAPE (Associação de Familiares e Amigos de Presos e Earessos Prisionais).

Entenda o Caso


O adolescente de 12 anos foi morto com três tiros após uma perseguição policial que acabou dentro de um parque de diversões. 
De acordo com a PM, o garoto e mais três adolescentes roubaram um carro, por volta das 17h30 da sexta-feira passada, após ameaçar a motorista com uma arma.

Por volta das 22h, o grupo teria passado em alta velocidade perto de uma viatura da PM, que teria constatado que a placa era de um carro roubado e iniciado a perseguição. Os garotos invadiram um parque de diversões e só pararam depois que bateram o veículo na grade de um brinquedo. A partir deste momento até a morte do menino, há diferentes versões do caso.

Inicialmente, a PM divulgou que teria ocorrido uma troca de tiros com um dos adolescentes. Porém, de acordo com o comandante da PM na RMVale, coronel José Eduardo Stanelis, o adolescente teria ameaçado atirar, mas foi atingido antes pelo policial. Segundo ele, os PMs agiram de acordo com os protocolos de segurança

O ouvidor Benedito Domingos Mariano prefere aguardar os laudos periciais para se posicionar sobre a conduta dos PMs.

“Instaurei o procedimento e tomei duas providências: encaminhei um ofício ao corregedor geral da PM pedindo que avocasse o inquérito policial militar para apuração do fato, e outro ofício para o superintendente da Polícia Técnica Científica solicitando dele três laudos –de local, balístico e necroscópico”, disse o ouvidor Benedito Domingos Mariano ao Meon.

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