
A pandemia pela Covid-19 trouxe dor e sofrimento à humanidade e impôs mudanças de padrões, de paradigmas e de comportamento, como não se via nos últimos 80 anos, depois do fim da 2ª Guerra Mundial.
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Sem nos aprofundarmos muito na história, é possível observar que grandes sofrimentos a que é exposta a humanidade provocam mudanças significativas no olhar do ser humano sobre sua vida e seus valores.
Foi assim, por exemplo, em relação ao “Período do Terror” (1792-1794), durante a Revolução Francesa, marcado pela perseguição religiosa e política, guerras civis e execuções em guilhotina. Livros narram sobre as grandes filas em salas de teatro onde os franceses, sem terem o que comer além de pão, dispunham de seus poucos recursos para assistirem peças que permitissem o conforto de momentos de distração, beleza, cor, música e alegria.
E a “moradia” foi fortemente impactada pela última pandemia. O “ficar em casa” passou pelo crivo do conforto, tanto em relação ao espaço propriamente dito (metragem, disposição dos cômodos e móveis) até a cidade em que vão residir, alertando sobre os benefícios de morar onde antes só era possível para o lazer.
“Sim, houve aquecimento do mercado em decorrência da pandemia. As pessoas passaram a trabalhar em casa e a priorizar imóveis maiores e com mais área verde. Em nossa região todas as cidades com condomínio de médio alto padrão, tiveram uma grande procura por imóveis” explica Jeremias Rodrigues, sócio proprietário da Imobiliária que leva seu nome e está estabelecida em Pindamonhangaba, Taubaté e Campos do Jordão, no mercado há 30 anos.
“Na Serra da Mantiqueira, em especial Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, em 2021, houve um número recorde de vendas, mas mesmo assim, 2022 foi 53% melhor do que o ano anterior” complementa Rodrigues.
Muitas pessoas pensaram que, afinal, porque não morar no lugar onde passam férias e finais de semana? No auge da pandemia, o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto, em conversa informal com a Metrópole Magazine, afirmou que centenas de pessoas, passaram a utilizar o imóvel antes destinado a veraneio para “residir” durante o período de isolamento. A preocupação, afirmava o chefe do Poder Executivo, ia além do receptivo para o qual a cidade estava preparada, mas também para atendimento na área de saúde, moradia para prestadores de serviços, escolas, etc…
“Precisávamos não apenas lidar com o aumento da demanda por infraestrutura e serviços, mas também garantir atendimento adequado na área de saúde, moradia para os prestadores de serviços essenciais e assegurar a continuidade das atividades educacionais em nossas escolas. Nossa responsabilidade como gestores públicos foi ampliada, exigindo uma abordagem ágil e estratégica para enfrentar esses desafios inéditos,” disse Felipe Augusto.
A tecnologia permitiu avanços antes inimagináveis, como reuniões preferencialmente online e home office em período integral. Estar presente no local de trabalho tornou-se quase uma exceção em determinadas empresas. ”Essa nova era tecnológica não apenas oferece maior flexibilidade e eficiência, mas também pode impulsionar o crescimento econômico, a criação de empregos e a sustentabilidade,” complementa o prefeito.
Felipe Augusto conclui afirmando que “atualmente vivemos um momento de grande transformação na sociedade, com mudanças no comportamento do convívio familiar, profissional, financeiro, em função do avanço tecnológico, que impôs mudanças reais nos relacionamentos, uma vez que encurtou significativamente a distância entre os povos de todo o mundo. Em São Sebastião, evidentemente, sentimos esta alteração do contexto mundial.”.
Um casal que resolveu assumir a casa de veraneio como residência principal foi Regina e José Apud. “O sonho do Zé sempre foi morar na Ilhabela, mas eu resisti muito. Morávamos num apartamento muito confortável em São Paulo, cidade onde nasceram nossos filhos. Chegou um momento em que os filhos saíram e ficamos com duas moradias grandes. A casa da ilha já tínhamos havia mais de 15 anos e então eu tive que admitir que, economicamente, fazia sentido e então vendemos o apartamento em São Paulo”, explica a agora ilhabelense.
Não sem dor, conta Regina. “Foi difícil no começo porque, parece, nós mulheres temos maior apego à casa. Então, mudar de casa e de cidade foi uma experiência que exigiu muita dedicação. Por sorte a Ilhabela oferece serviços de primeira qualidade e encontrei na terapia quântica, no pilates e em novos amigos, uma forma de recomeçar. Esta semana mesmo fomos em um jantar no Deck e foi muito prazeroso ver e rever pessoas interessantes, que estão residindo na ilha” explica.
Trabalhando com importação, Regina também sofreu os efeitos da Pandemia pela Covid-19 e teve que se adaptar. Encontrou uma linha de produtos internos, direcionados à gastronomia, utilidade doméstica e decoração, com o que sua empresa continuou a prosperar. Mantém a participação em Feiras nacionais e internacionais e, quando em São Paulo, aproveita para rever as amigas e frequentar os restaurantes dos quais sente falta.
“O que mudou mesmo foi o estilo de vida, aqui tenho mais tempo e consigo me organizar para fazer exercícios (pilates), ir ao cabeleireiro e realizar outras atividades que antes eram mais complicadas, exatamente pela dificuldade de locomoção na capital paulistana. Agora moramos em casa, com jardim e uma vista deslumbrante” finaliza Regina.
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