Youtubers mirins da região conquistam milhões de seguidores
Eles ainda são pequenos, mas já são “reconhecidos” no mercado


A pequena joseense Júlia Silva, de dez anos, faz vídeos para seu canal
Pedro Ivo Prates/Meon
Eles ainda são pequenos no tamanho, mas já são “reconhecidos” no mercado como “gente grande”. Os youtubers mirins, crianças e adolescentes que produzem conteúdos para canais, se destacam nas redes sociais e arrastam diversos seguidores. Segundo o YouTube, há mais de um bilhão de usuários e o número de pessoas que assistem aumentou 40% ao ano, desde março de 2014.
E o Vale do Paraíba é um dos pioneiros quando o assunto é youtuber. A pequena joseense Júlia Silva, de dez anos, faz vídeos com desafios, em alguns acompanhada do pai, com experiências e histórias que são narradas com bonecas. O sucesso dos vídeos já atingiu a marca de mais de um milhão de inscritos em seu canal. Ela foi a primeira youtuber mirim no Brasil a receber o certificado de 100 mil inscritos.
À Metrópole Magazine, Júlia conta que tudo começou com uma brincadeira aos seis anos para mostrar um pouco do dia a dia para a família. A pequena nasceu em São José dos Campos e teve que acompanhar os pais para uma estadia na França. No tempo em que morou no exterior, a youtuber começou a acompanhar alguns canais.
“Minha mãe criou um canal e começamos a fazer alguns vídeos e acompanhar outros canais. Postávamos para os familiares do Nordeste acompanharem, principalmente na época em que moramos fora. Depois eu e minha mãe tivemos que voltar, por conta do período escolar, e meu pai havia prometido uma casinha quando retornasse. Foi aí que gravei um vídeo fazendo os ‘móveis’ recicláveis para a minha casinha”, conta.
Com o primeiro vídeo publicado, os pedidos para prosseguir com o canal foram inúmeros. “As pessoas gostaram da Júlia ensinando a fazer os móveis e pediram outros vídeos”, comenta Paula, a mãe. Hoje, o canal da pequena Júlia é fenômeno na internet e é visto em mais de 50 países no mundo, sendo premiado duas vezes por atingir a marca de 100 mil inscritos e mais de 400 milhões de visualizações.
Recentemente, o “Júlia Silva” – nome dado ao canal – atingiu o feito de um milhão de inscritos. Na prateleira de seu quarto, os quadros com os registros do YouTube são guardados com carinho. Ela encara as gravações apenas como “hobby” e leva uma vida agitada durante a semana, com as atividades escolares, inglês, francês e educação física. No prédio em que reside com a família em São José, Júlia conta com outro apartamento que abriga os brinquedos e serve de estúdio para as gravações.
“Encaro tudo como se fosse uma grande brincadeira. O conteúdo é o mais natural possível, às vezes sai de improviso ou de algo que as pessoas pediram. É um canal que conta o universo visto por uma criança da minha idade. Gosto e sou responsável com as minhas atividades, mas o que importa para mim é me divertir, não deixando de lado a brincadeira, as bonecas. Faço tudo o que uma criança faz”, diz empolgada.
Com a projeção no canal, a mãe da pequena afirma que toma alguns cuidados em relação às postagens e ao contato da filha com a web. Atualmente uma empresa de comunicação gerencia a página de Júlia no Facebook e os contatos diretos são filtrados pela mãe. “A gente monitora as postagens. Tudo sou eu quem publico e as mensagens são filtradas para que possamos ter controle do que está sendo publicado”.
O sucesso na internet também fez com que ela marcasse presença nos encontros do YouTube, em programas de televisão, lançasse livros e até mesmo uma entrevista internacional a convite da Disney Channel. Júlia pretende transformar o aprendizado na web em uma profissão. “Quero seguir na comunicação, onde eu possa me comunicar com as pessoas e fazer o que mais gosto”, acrescenta.

Luluzinha e sua mãe Patrícia
Divulgação
Outro exemplo de youtuber da região é a menina Luiza Sayuri, que mora em São José dos Campos. Com quatro aninhos, a Lulu – como é carinhosamente chamada – encanta por sua doçura nas filmagens. Os pais de Lulu tiveram a ideia de fazer um canal para a menina há um ano, quando perceberam que ela gostava de participar dos vídeos.
“Lulu participava de vídeos. Ela se divertia bastante e pedia para brincar e então criamos o seu próprio canal, há um ano. Todos os vídeos do canal da Lulu são gravados por nós, os pais, e o conteúdo é de acordo com o perfil dela e do canal. O canal da Lulu tem novelinhas, desafios, tutoriais, receitinhas e brincadeiras”, conta a mãe, Patrícia Sayuri.
Nas gravações, pai e mãe de Lulu participam e entram na brincadeira. O canal já atingiu mais de 130 milhões de visualizações e mais de 450 mil inscritos. Três vezes por semana os conteúdos são atualizados. A mãe comenta que a rotina da youtuber não foi alterada.
“Lulu faz ballet, natação e vai à escola. Ela gosta de gravar e fica feliz quando as crianças a reconhecem e comentam sobre os vídeos preferidos”. Sobre parcerias, a mãe de Lulu afirma que a menina comparece em eventos que ela se identifica. “Não temos parcerias comerciais. Os eventos que a Lulu comparece são os que ela se identifica e se diverte, sem vínculos comerciais”, destaca.

Fabrício Filho, 16 anos
Pedro Ivo Prates/Meon
Início
Do outro lado, o jovem Fabrício Filho está iniciando no mundo dos youtubers. Aos 16 anos, ele tem há um ano um canal e sempre quis ter “voz” para falar com as pessoas. O primeiro vídeo foi postado no ano passado, mas só foi “liberado” após mostrar para a família. “Eu sempre quis ter voz para falar com as pessoas e a internet me deu essa possibilidade. Iniciei no ano passado o canal, mas o primeiro vídeo foi um fracasso”, brinca.
Segundo o jovem, que agora investe em recursos para a edição dos vídeos, a primeira filmagem foi de forma experimental. “Coloquei a minha câmera em cima de umas caixas de sapato e comecei a gravar, falando sobre liberdade. Mostrei para a minha família inteira e resolvi postar”, diz. O primeiro vídeo teve mais de mil pessoas alcançadas.
O youtuber joseense conta que a maioria dos seguidores do canal é jovem. “No início, eu falava sobre assuntos variados e agora resolvi focar mais em assuntos que chamem a atenção dos jovens, como relacionamento, escola, crescimento, entre outros”.
Para as filmagens, Filho utiliza um roteiro com palavras-chave. “Crio um roteiro e escolho a pauta do vídeo, colocando palavras-chave, mas me dou liberdade de criar na hora da gravação”, completa o jovem que pretende seguir na carreira e estudar na área.
Avaliação
Mariana Marco, psicóloga e especialista em comportamento, avalia que a exposição na internet deve ser controlada pelos responsáveis. O conteúdo produzido pelas crianças e jovens precisa ser fiscalizado.
“Como uma criança consegue lidar com a exposição? Eles não têm clareza nas ações e, por isso, é necessário o acompanhamento dos pais. A criança ainda não tem maturidade para escolher entre estudar e fazer o conteúdo. O rendimento pode ser comprometido, mas é claro que o youtuber é um conhecedor de diversos assuntos”, afirma.
Outro ponto abordado pela especialista é sobre a construção da carreira. Segundo ela, o youtuber pode se tornar um grande empreendedor. “Precisamos desconstruir o conceito que o caminho certo é a faculdade. Ele pode ser um grande empreendedor e se dar bem na vida. O que precisa ser avaliado é o impacto futuro na vida e no estudo”, destaca.
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