Venezuela expulsa embaixadora da UE após novas sanções do bloco
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O regime de Nicolás Maduro classificou como persona non grata a embaixadora da União Europeia em Caracas, a portuguesa Isabel Pedrosa, e deu um prazo de 72 horas para que ela deixe o país. A decisão do governo venezuelano foi anunciada após novas sanções do bloco. O ditador deu ainda um ultimato à UE. “Ou vocês…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O regime de Nicolás Maduro classificou como persona non grata a embaixadora da União Europeia em Caracas, a portuguesa Isabel Pedrosa, e deu um prazo de 72 horas para que ela deixe o país. A decisão do governo venezuelano foi anunciada após novas sanções do bloco.
O ditador deu ainda um ultimato à UE. “Ou vocês ratificam [as sanções] ou com vocês não tem nenhum trato”, afirmou Maduro.
O bloco europeu sancionou 19 funcionários do governo venezuelano, entre eles Remigio Ceballos, um dos principais chefes militares do país, Indira Alfonzo, presidente do Conselho Nacional Eleitoral, e dois congressistas.
Pouco após o anúncio da expulsão de Pedrosa, o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, entregou cartas de protesto ao embaixador francês, Romain Nadal, e aos representantes de Alemanha, Espanha e Holanda, instando seus governos a reavaliar o posicionamento com relação ao regime sul-americano.
“Como hoje dissemos adeus, adeus em português, porque a senhora Brilhante é portuguesa de origem, não queremos ter que dizer adiós [adeus, em espanhol], auf wiedersehen [em alemão] ou au revoir [em francês]”, afirmou Arreaza, que classifica as sanções europeias como ilegais e inaceitáveis.
“Esperamos que haja reflexão da União Europeia, que possamos reconstruir pontes de entendimento e diálogo, que eles aprendam a respeitar”, disse o chanceler, que destacou a generosidade do país em permitir a permanência de representantes europeus, após o bloco não reconhecê-lo como chefe de Estado em 2019, na sequência da eleição presidencial de 2018 -esta acusada de fraude pela maioria das nações ocidentais.
Os funcionários sancionados são acusados de minar a democracia após as eleições parlamentares de 6 de dezembro -boicotadas e acusadas de fraude pelos maiores partidos políticos opositores do regime.
Sem reconhecimento dos EUA, da UE e de vários países da América Latina, o pleito deu ao partido do governo e seus aliados 256 dos 277 assentos do Parlamento, dando a Maduro o controle do único poder que estava na mão da oposição.
Foi essa Casa que pediu nesta terça (23) que o ditador expulsasse Brilhante e revisasse o acordo de funcionamento da representação do bloco europeu em Caracas.
A UE -que chegou a tentar, sem sucesso, adiar a votação para que houvesse condições para garantir a participação dos opositores- respondeu à expulsão de Brilhante.
“A UE lamenta profundamente essa decisão, que apenas levará a um maior isolamento internacional da Venezuela”, afirmou Nabila Nasrali, porta-voz do serviço de Relações Exteriores da Comissão Europeia. “Pedimos que essa decisão seja revertida.”
Dois diplomatas europeus disseram ainda, à agência de notícias Reuters, que a medida não é bem-vinda e não mudará a política do bloco, acabará com as sanções ou inviabilizará esforços para mediar um caminho para novas eleições presidenciais livres e justas no país.
Não é a primeira vez que o regime venezuelano declara Brilhante persona non grata no país. Em junho de 2020, após outro pacote europeu de sanções, Maduro fez o mesmo anúncio e também deu 72 horas para que a representante deixasse o país. Negociações com o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, no entanto, reverteram a medida.
A Venezuela se tornou, em 2017, o primeiro país latino-ameriano a ser sancionado pela UE, que desde então já aprovou medidas contra 55 funcionários do regime, que incluem desde a proibição de viajar ao território europeu até o congelamento de bens.
O governo de Maduro enfrenta ainda fortes sanções americanas, inclusive de um embargo de petróleo, que busca derrubar o ditador. James Story, embaixador dos EUA na Venezuela, que fica baseado em Bogotá, afirmou que o regime se isola cada vez mais.
“Lamentamos que a embaixadora da UE, Isabel Brilhante Pedrosa, se encontre entre as quase 6 milhões de pessoas expulsas da Venezuela pelo regime”, disse em referência à onda migratória de venezuelanos que deixam o país fugindo da forte crise econômica e social.
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