Vida de irmã mais velha
Irmã mais velha deveria ser considerada profissão. Principalmente quando se é irmã mais velha de dois meninos que parecem ter alguma dificuldade em ficar parados. E é nesse quadro que me encaixo. Meus irmãos, Eric e Thomas, de 9 e 2 anos, conseguem deixar qualquer lugar em que passam, por mais pacato que seja, de […]

Irmã mais velha deveria ser considerada profissão. Principalmente quando se é irmã mais velha de dois meninos que parecem ter alguma dificuldade em ficar parados. E é nesse quadro que me encaixo. Meus irmãos, Eric e Thomas, de 9 e 2 anos, conseguem deixar qualquer lugar em que passam, por mais pacato que seja, de pernas para o ar.
De iogurte pelo sofá até ovos pelo chão, esses meninos já aprontaram de tudo. Não consigo me lembrar de nenhuma vez sequer em que os vi simplesmente em paz, quietos. Eles estão sempre a correr por aí, como pequenos furacões que alegram qualquer um que estiver por perto. E eles são tudo, tudo o que quiserem ser, astronautas, policiais, pilotos de corrida e até mesmo dinossauros ferozes (que parecem ter um prazer especial em correr atrás de irmãs que só queriam um pouco de sossego), pois estão na que é, a meu ver, a fase mais feliz da vida: a infância.
E como eles se divertem! Juntos ou separados, estão sempre a fazer folia. O mundo nessa idade é tão maravilhoso! Amo vê-los brincar, e até mesmo, quando me sobre um pouco de energia, juntar-me a brincadeira e cair de cabeça em seu mundo de fantasia, repleto de aventuras, que torna cada joaninha um novo inimigo a ser combatido, cada rachadura na calçada um novo precipício a ser pulado e cada pessoa que passa uma nova nave espacial para ser driblada, e essa brincadeira dura minutos ou horas, me deixando cansada ao extremo (apesar de não ter o mesmo efeito nos pequeninos).
Mas apesar de toda essa diversão, há também os maus momentos. Os momentos que me deixam nervosa, nos quais eu costumo perder a cabeça e ter a vontade de atirar um dos dois pela janela (como diz a minha mãe, ter vontade é normal, o anormal é atirá-los).
As discussões sobre os assuntos mais inúteis, as brigas por conta daquele giz que vez ou outra desaparece do meu quarto (que é constantemente achado em lugares esquisitos, como dentro de frascos de xampu, ou na vasilha de comida dos cachorros) ou certo nome escrito com canetinha na parede do meu quarto são o motivo pelo qual eu tenho, constantemente, a vontade de trocá-los por um porquinho da índia ou talvez por um gatinho.
Porém eu realmente amo meus irmãos, e as brigas e discussões sempre podem ser superadas (apesar de eu realmente querer um gatinho) e por mais que eles consigam me tirar do sério eu nunca os trocaria por nada.
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