Vídeo: Veja soltura de lobo-marinho e de pinguins na costa de Ubatuba após reabilitação

Animais foram reintroduzidos na natureza com microchips para serem acompanhados

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Um lobo-marinho que estava em reabilitação no Instituto Argonauta após ter sido encontrado no Maranhão, em setembro, finalmente pode voltar à natureza na última segunda-feira (13). A operação de soltura envolveu a equipe de biólogos, oceanógrafos e veterinários do Instituto Argonauta, e foi realizada em alto mar, na altura de Ubatuba, a cerca de 60 milhas da costa.

O animal foi encontrado debilitado no Rio Mearim, em Arari, Maranhão, e a equipe do Instituto Amares foi acionada e contatou o CETAS do Ibama de São Luís, que fez o resgate e os primeiros cuidados.

Por se tratar de uma ocorrência fora do local de registros mais comuns para essa espécie, foi solicitada a transferência do lobo-marinho para o CRETA do Instituto Argonauta, em Ubatuba, que possui infraestrutura para atendimento, tratamento e posterior soltura de animais marinhos, incluindo pinípedes.

A ideia inicial era uma breve reabilitação, seguida de uma rápida soltura, dentro do período mais comum de ocorrência da espécie na região Sudeste do Brasil. No entanto, o animal seguia apresentando alteração nos exames clínicos e laboratoriais, que prorrogaram sua estadia no CETAS.

Os pinípedes marinhos, subantárticos e antárticos, devem passar por rigorosos exames que garantam sua saúde e minimizem as possibilidades de carreamento de agentes patógenos para o ambiente antártico. Após três meses de reabilitação, medicamentos, terapias e exames que pudessem garantir que o lobo-marinho estava em perfeitas condições de saúde, o paciente teve evolução, recebeu alta, foi anilhado, microchipado e ficou pronto para voltar ao seu ambiente natural.

Assim, o Instituto Argonauta, em parceria com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), monitorou as condições meteoceanográficas e a posição da Corrente do Brasil para definir a melhor data e local para soltura. “A Corrente do Brasil se origina na bifurcação da Corrente Sul Equatorial e flui para sul ao longo da margem continental brasileira até a costa do Uruguai, o que facilita o deslocamento do animal, por isso a importância de realizar a soltura o mais próximo possível dessa corrente, mesmo nessa época, explica o oceanógrafo Hugo Gallo neto, presidente do Instituto Argonauta.

De acordo com a bióloga Carla Beatriz Barbosa, diretora executiva do Instituto Argonauta, os lobos-marinhos da espécie Arctocephalus tropicalis são encontrados em regiões costeiras subantárticas, e, no Brasil, podem ocorrer no litoral do Sul e do Sudeste. Eles se diferenciam dos leões-marinhos pelo menor porte, focinho alongado e pelagem mais macia. Alimentam-se de peixes, crustáceos, polvos e eventualmente pinguins.

Pinguins-de-Magalhães também são reintroduzidos na natureza

Também na segunda-feira, um grupo de nove pinguins-de-magalhães foi reintroduzido à natureza na costa de Ubatuba após serem resgatados e passar por reabilitação pelas equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos e Bacia de Campos.

Após o período de reabilitação, com exames e acompanhamento médico veterinário, os nove pinguins passaram por um teste de impermeabilização, receberam um microchip e tiveram alta para soltura.

Divulgação/Instituto Argonauta
Divulgação/Instituto Argonauta

“A soltura dos animais foi realizada em alto-mar, na corrente do Brasil, de modo que ajude os pinguins em sua jornada de volta para seu hábitat, nas costas da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas”, explica o oceanógrafo Hugo Gallo Neto, Presidente do Instituto Argonauta.

“A melhor época para a realização da soltura seria durante o período de ocorrência dos pinguins na costa brasileira, já que eles migram nos meses de inverno rumo à região Sul e Sudeste para se alimentarem. Porém, com a necessidade de formar um grupo de animais e adequar a soltura às condições mais favoráveis de correntes marítimas, a operação foi adiada para dezembro e transcorreu de forma bem-sucedida”, explica a bióloga Carla Beatriz Barbosa, coordenadora do PMP-BS (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos).

Tags:destaquemancheterotativoPublicado em: