Vinyl aposta na boa união entre grandes nomes do cinema
Martin Scorsese, Terence Winter e Mick Jagger assinam a produção da série


Martin Scorsese, Terence Winter e Mick Jagger assinam a produção da série
Divulgação
Em meio à sujeira, ao perigo e aos excessos, Nova York no início dos anos 1970 era uma cidade partida, cheia de som e fúria. Circulando por entre clubes, festas e becos da cidade, Richie Finestra (Bobby Cannavale) é o presidente da American Century, uma gravadora em apuros financeiros e prestes a ruir – só um hit pode lhes salvar. É com muito barulho que Vinyl, que estreou à meia-noite do dia 14 de fevereiro, pelo canal HBO.
A série é fruto de mais uma parceria entre nomes com pedigree no cinema, na TV e na música. Martin Scorsese, Terence Winter e Mick Jagger assinam em conjunto a produção executiva da série que traz personagens caricatos, guitarras distorcidas e um enredo que explora os meandros da indústria fonográfica da época.
Neste sentido, Vinyl é um soco na cara das grandes gravadoras, objeto de estudo da série. “É ficção, mas muito da trama foi retirado de experiências reais de pessoas que viveram a época e sabiam sobre o funcionamento da música como um negócio”, afirmou o ator Jack Quaid, que interpreta um produtor musical da American Century, em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S.Paulo.
Para fazer a crítica com o som no talo, a série conta com um elenco de peso. Ganhador de um Emmy em 2013, Bobby Cannavale desfila como protagonista. Outras presenças regulares incluem Ray Romano (Everybody Loves Raymond), Max Cosella (Os Sopranos) e P. J. Byrne (O Lobo de Wall Street), cujas interpretações garantem boas risadas. Também atuam na série Olivia Wilde (House), Birgitte Hjort Sørensen (Game of Thrones) e James Jagger, que interpreta um roqueiro em seu primeiro papel de destaque como ator.
“Não há muita semelhança entre meu pai e o personagem”, disse James ao Estado. “Kip Stevens é um odiador visceral, que quer ser alguém e bate a cabeça contra a parede que é a indústria musical dos anos 1970, que tinha cada vez menos a ver com música e mais com imagem.”
Em Vinyl, a hegemonia da música disco nas paradas de sucesso é parte integrante do conflito, que também reserva espaço à pureza do blues e ao nascente delírio do hip hop. Além das roupas de nylon e lantejoulas coloridas, a série promete entupir a tela com bastante rock’n’roll – há referências óbvias a bandas como Velvet Underground e New York Dolls.
Para além das personas e bandas fictícias, Vinyl mergulha com profundidade nas angústias e fracassos de uma época marcada pelo declínio da contracultura, pelo alto consumo de drogas e pela violência das ruas da cidade.
Parceria
Muito da competência de Vinyl vem da expertise reunida dos envolvidos de frente no projeto. Embora cada um dos episódios da primeira temporada esteja sob a batuta de diferentes diretores, a assinatura de Martin Scorsese no episódio piloto funciona como modelo aos demais.
Longe de ser novidade, o flerte do diretor de cinema com a TV e com a música é uma constante em sua carreira. Em 2003, além de também dirigir o primeiro episódio, Scorsese produziu uma série de TV sobre o blues – The Blues. Em 1978, lançou seu aclamado documentário The Last Waltz, voltando sua atenção para o último concerto da banda canadense The Band. Em 2008, registrou uma turnê dos Rolling Stones no também documentário Shine a Light.
Nas quase duas horas do capítulo inicial de Vinyl, o carimbo do diretor transforma o que seria um simples seriado televisivo em uma delicada experiência visual que se apoia na linguagem do cinema. A marca Scorsese está impressa na escolha dos enquadramentos e ângulos de câmera, na narração não linear em off, nas transições de cena que ganham fluidez com o uso indiscriminado do silêncio abrupto. Os recursos funcionam em sincronia com o roteiro preciso de Terence Winter, que escreveu todos os dez episódios da primeira temporada.
Inaugurada na série Boardwalk Empire, a sinergia entre ambos continuaria dando frutos em produções como O Lobo de Wall Street – em que Winter assina o roteiro e de onde vieram muitos do elenco – mas ganha ainda mais densidade em Vinyl com o amálgama trazido pela ilustre presença de Mick Jagger por trás das câmeras.
Somado à estética narrativa e visual, a série ganha consistência pela familiaridade e livre acesso que o roqueiro ainda cultiva com o sinuoso mercado das gravadoras e com os personagens que fazem parte dele.
Através dos olhos cansados de Richie Finestra, o espectador consegue flanar entre produtores gananciosos, músicos neurastênicos e executivos inescrupulosos – todos desesperados pelo sucesso. Ao que tudo indica, Vinyl vem para ser um hit.
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