Zoneamento: moradores de S. José criticam a ausência dos vereadores
População pede que sugestões sejam encaminhadas para o projeto de lei


Apenas cinco vereadores participaram da reunião
Flavio Pereira/CMSJC
A reunião pública realizada pela Câmara de São José dos Campos, nesta segunda-feira (29), elevou o tom de críticas aos vereadores que não estiveram presentes para discutir o projeto da nova Lei de Zoneamento. O encontro contou com a participação de cerca de 40 pessoas e aconteceu na Escola Estadual Santana do Paraíba, em Santana.
A população criticou a ausência dos parlamentares. No encontro, apenas cinco vereadores participaram – Walter Hayashi (PSB), Cyborg (PV), Willis Goulart (PP), Shakespeare (PRB) e Roberto do Eleven (PP). O quadro do Legislativo conta com 21 parlamentares.
“Temos mais vereadores e apenas cinco participaram da reunião. É bem pouco. A nossa região merece uma atenção especial e ainda mais por se tratar de um projeto tão importante”, diz a moradora Elvina dos Santos.
O vereador Shakespeare Carvalho (PRB) afirma que o convite foi feito a todos. “Sempre encaminhamos de forma igual a todos. Todos os vereadores estão cientes e sabem dos seus deveres. Claro que também é compreensível a agenda de cada vereador”, ressalta.
Debate
Para Maria Angélica, moradora do bairro Vila Paiva, a população precisa ser ouvida e as sugestões consideradas. “Não se pode tomar uma decisão sem ouvir profundamente os moradores. Precisam escutar e considerar. Somos nós que moramos aqui”, destaca a moradora em relação à permissão de casas de shows no novo projeto.

Arquiteta Giuliana Fiszbeyn
Flavio Pereira/CMSJC
Na proposta apresentada, a zona norte contará com uma área de proteção ambiental na região do Parque da Cidade, a instalação de áreas industriais, além da classificação ZM3 – que permite a instalação de casas noturnas. A proposta foi contestada pela arquiteta Giuliana Fiszbeyn, da AEA (Associação de Engenheiros e Arquitetos), que avalia a necessidade de se debater mais com a população. “Isso está causando muito furor. Vai poder ter quase tudo na região do ZM3, como, por exemplo, casa de shows”.
De acordo com a arquiteta, o zoneamento determinará os impactos futuros. “O zoneamento define os impactos e as classificações, como residencial, não-residencial e industrial, entre outras, e por isso é um projeto que precisa ter a participação popular”, destaca.
Entraves
O vereador Walter Hayashi, relator da Comissão de Planejamento Urbano da Câmara, diz que o novo projeto possui uma apresentação muito complexa. A atual proposta possui mais de 500 páginas. “Detectamos que a lei é muito complexa e para compreender é necessário um prazo maior”. “O zoneamento tem que ‘entender’ o deslocamento das pessoas e como elas vão se mobilizar, o tipo de moradia por região etc”.
Sobre a votação do projeto, o presidente da Câmara destaca que a intenção é colocar a proposta o mais breve em pauta. “Houve a interrupção do processo por parte da Defensoria e do Ministério Público e, agora, queremos colocar o mais rápido em discussão”, finaliza Carvalho.
Reuniões
A próxima reunião pública do “Câmara Presente” será realizada nesta quarta-feira (2), no bairro Jardim Esplanada, às 19h, na Etep (avenida Barão do Rio Branco, 882). Já a última reunião projeto acontece no dia 9 de março, no Urbanova, Auditório do Ceplade, na Univap (avenida Shishima Hifumi, 2911), também às 19h.
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