Bombeiro preso após morte de estudante em Taubaté é solto pela Justiça
Marcos Paulo Fujarra de Oliveira recebeu liberdade provisória após audiência de custódia; Justiça suspendeu porte de arma e determinou medidas cautelares

O bombeiro Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, preso em flagrante após a morte do estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, foi solto pela Justiça nesta quinta-feira (1º), em Taubaté, no Vale do Paraíba.
A decisão foi tomada após audiência de custódia realizada por volta das 10h. A Justiça concedeu liberdade provisória ao bombeiro, mas determinou uma série de medidas cautelares que deverão ser cumpridas durante a investigação.
Entre as determinações estão o comparecimento bimestral em juízo, o recolhimento domiciliar noturno nos fins de semana e dias de folga e a proibição de deixar a comarca por mais de 15 dias sem comunicar previamente a Justiça. Marcos também está proibido de manter contato com familiares de Bruno ou de se aproximar deles a menos de 100 metros.
Porte de arma é suspenso
A Justiça também suspendeu o porte de arma de Marcos e determinou o envio de um ofício à Polícia Militar para que ele seja alocado em atividades administrativas.
Na decisão, a magistrada Glaucia Fernandes Paiva, da Vara Regional das Garantias da 9ª Região Administrativa Judiciária, em São José dos Campos, considerou que, neste momento da investigação, não estavam presentes elementos suficientes para justificar a prisão preventiva.
Segundo a decisão, Marcos é primário e, até esta fase do caso, não foram demonstradas circunstâncias suficientes para indicar que a liberdade dele representaria risco à ordem pública, à investigação, à instrução processual ou à aplicação de eventual pena. A prisão preventiva, segundo a decisão, deve ser uma medida excepcional, podendo ser substituída por outras cautelares quando consideradas suficientes.
A liberdade provisória poderá ser revogada caso as determinações judiciais sejam descumpridas ou surjam novos elementos que indiquem risco à investigação ou à aplicação da lei penal.
Defesa alega legítima defesa
O advogado Cláudio Rodrigues, responsável pela defesa de Marcos, confirmou a concessão da liberdade provisória e afirmou que o bombeiro agiu em legítima defesa.
Segundo a defesa, Marcos teria acreditado estar diante de uma tentativa de assalto e o estudante estaria armado com uma faca. O advogado afirma que o bombeiro teria se identificado como policial e determinado que Bruno saísse do veículo.
Ainda de acordo com a versão apresentada pela defesa, Bruno teria quebrado o vidro do veículo com uma faca e avançado contra Marcos, que teria efetuado os disparos para conter a suposta ameaça. A alegação de legítima defesa ainda será analisada no decorrer da investigação e de eventual processo criminal.
Morte aconteceu após discussão de trânsito
Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, cursava o quarto semestre de Medicina na Universidade de Taubaté (Unitau). A ocorrência aconteceu na manhã de quarta-feira (30), na avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como avenida do Povo, em Taubaté.
Segundo a apuração policial divulgada até o momento, o desentendimento teria começado no trânsito. Marcos dirigia um Jeep Renegade, enquanto Bruno estava em um Chevrolet Prisma. Os dois teriam se encontrado novamente nas proximidades da avenida do Povo.
Marcos foi preso em flagrante após os disparos. Uma pistola Taurus calibre .380 foi apreendida. Ainda segundo o registro policial, não foi localizada arma de fogo com Bruno ou dentro do veículo conduzido pelo estudante.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
Estudante de Medicina é velado em Jacareí
O corpo de Bruno foi velado nesta quinta-feira (1º), em Jacareí. A cerimônia ocorreu no Campo das Oliveiras, na região central da cidade, e o sepultamento estava previsto para o Cemitério Memorial do Vale.
Após a morte do estudante, colegas participaram de uma missa e de uma vigília em homenagem a Bruno. A Unitau suspendeu as aulas do curso de Medicina e disponibilizou acolhimento e atendimento psicológico para estudantes e professores.
Marcos é soldado de 1ª classe do Corpo de Bombeiros e ingressou na corporação em 2016. A investigação sobre a morte do estudante continua.
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