Projeto que leva “Cultura na Kombi” para região luta por apoio popular

Grupo de artistas de Taubaté lançam campanha na internet para arrecadar fundos

Escrito por: Thiago Fadini4 min de leitura
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Artistas reúnem público em locais onde a cultura encnotra dificuldades para chegar

Cultura na Kombi/Acervo


Oferecer à população do Vale do Paraíba música, lazer, entretenimento e oficinas culturais, e em troca, ver a interação e participação do público. Essa é a ideia que Flávio Itajubá teve ao montar o Cultura na Kombi, grupo de artistas amantes da cultura de Taubaté.

O projeto, vinculado a ONG Samauma, busca levar conteúdo para locais afastados da região, onde o acesso à informação é escasso. O coletivo conta atualmente com 25 pessoas que promovem diretamente atividades como o Batuque de Quinta, oficina gratuita de maracatu, trabalhos com malabares, telas de serigrafia, oficinas de DJ, além de brincadeiras populares que movimentem o público local.

A iniciativa é aberta para qualquer artista que deseje divulgar o próprio trabalho e esteja interessada em repassar seus conhecimentos à população.

“Você é um artista plástico e você curte dar oficina. Se você quiser “se filiar à gente”, vamos agenciar e dar o que você precisa. Vamos fazer toda a parte de produção e você vai ser um agente nosso. O Cultura na Kombi já promoveu diversas atividades e 90% delas foram gratuitas. Estamos batalhando pra divulgar a cultura e fazer com que os artistas divulguem o próprio trabalho e consigam viver com isso”, explicou Flávio Itajubá.

Mas não só de boas intenções um projeto itinerante anda com as próprias pernas e é aí que entra o pedido de ajuda ao Cultura na Kombi. Tudo começou com o grupo Maracatu Baque do Vale, que promove o “Batuque de Quinta” há oito anos na Praça Doutor Barbosa de Oliveira, centro de Taubaté, às quintas-feiras. O grupo, que hoje reúne 20 músicos, começou a enfrentar problemas de logística e surgiu a ideia de comprar uma Kombi, modelo 1974, para melhorar a locomoção.

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Kombi 1974 recebeu reforma completa

Cultura na Kombi/Acervo

Em reconhecimento ao trabalho em prol do conhecimento, os artistas receberam o certificado de Utilidade Pública da cidade de Taubaté e um prêmio de R$ 40.000,00 da montadora Volskwagen para melhorar a infra-estrutura de suas atividades. Do investimento veio, além da reforma na “kombosa 74”, o segundo filho: uma Kombi 1973. Entretanto, o dinheiro, em alguma hora, chega ao fim. Foi quando Flávio resolveu iniciar uma campanha “crowdfunding” no site Catarse, ferramenta coletiva para financiar projetos. A proposta, que visa arrecadar R$ 6.500 até o próximo dia 16, já arrecadou R$ 5.475.

“Uma hora acabou (o dinheiro). Certas coisas não conseguimos prestar contas e não conseguimos reformar nossa outra Kombi (1973). Depois de um tempo o motor dessa Kombi fundiu. Passamos um perrengue, ficamos sem as duas, mas conseguimos reformar uma e trocar o motor da outra. Mas gastamos um valor muito alto, gastamos dinheiro que não tínhamos. Abrimos essa campanha pra repor um pouco dessa grana e pra termos fundo de manutenção das Kombis”, contou Itajubá.

Com os fundos arrecadados pelo site, os integrantes planejam abrir uma poupança e sempre depositar o valor de qualquer atividade que venha a ser remunerada. Tudo será revertido para manter as camionetas rodando e para proporcionar melhor estrutura aos artistas. O idealizador do Cultura na Kombi reafirma ainda a vontade de angariar os fundos sem o auxílio do poder público, para que o projeto possa caminhar e se manter independente.

“Tem um monte de ações que a gente está fazendo e que está rolando legal. Algumas coisas ultrapassam até os limites e chegam aonde o poder público deveria fazer e não consegue. Política, se a gente se envolver, não sabemos aonde vai parar. Preferimos conseguir algo solidificado, com as nossas próprias pernas”.

Para ser um apoiador do Cultura na Kombi, a pessoa deve acessar o link do projeto e decidir o valor a ser doado. Segundo a proposta, R$ 3 mil serão investidos na pintura de uma das Kombis e R$ 1.655 no motor da outra. R$ 845 ficarão com o Catarse e os R$ 1 mil restantes serão destinados à prêmios aos apoiadores.

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