Festival da Mantiqueira se firma como um dos preferidos dos autores
Escritores ressaltam clima de liberdade e interação com o público


Evento aconteceu entre os dias 10 e 12 em São Francisco Xavier
Divulgação
À mesa de autógrafos, após encontro que discutia a sobrevivência do conto durante a 8ª edição do Festival da Mantiqueira, a comedida escritora Tércia Montenegro recebe com sorriso frouxo a provocação penetra de Mário Prata: “olha aí, já está desbundando até na letra”. Minutos antes, o autor saía da plateia para elogiar, ao microfone e de forma bem humorada, o fato da aplicada doutora em linguística permitir-se um respiro a sua formalidade peculiar.
Ao lado dela, Marçal Aquino e Sidney Rocha, dois dos escritores que também participavam do debate recém-terminado, faziam piada com a situação. Mediador do encontro, João Cezar de Castro, também se divertia de pé ao lado da mesa. Em clima de folgada distração, o grupo interagia entre si e com o público que se enfileirava para conseguir um autógrafo.
A atmosfera de liberdade que São Francisco Xavier proporciona tem colocado o Festival da Mantiqueira na lista dos eventos literários preferidos dos autores.
“É outro esquema. Fica praticamente todo mundo no mesmo hotel. Aí a gente senta e continua o papo. Na rua também é bacana porque há uma interação boa com o público. Fora que a gente tem tempo de conversar com pessoas muito queridas. O Marçal, por exemplo, eu não via há quatro anos. O Affonso Romano, há mais de dez. E o legal é que a gente tem tempo. Não é aquela coisa de chega em um dia, faz a palestra e vai embora. Nessa toada eu inclusive esqueci de divulgar meu novo livro. Foi a maior vergonha, a editora me mata ”, diz Mário Prata.
Já o escritor Sidney Rocha, um dos destaques desta edição, ressalta a vocação do evento para fomentar o diálogo. O cearense afirma que raramente frequenta as feiras literárias justamente pela falta de tempo que os encontros oferecem aos autores.
“O que me agrada no Festival da Mantiqueira é que a gente consegue estabelecer uma comunicação boa com o público. Você passa o recado, bate um papo. A conversa flui. Já estive em algumas feiras onde o esquema é fast-food. Você divide uma mesa de cinco pessoas e tem dez minutos para falar do seu trabalho. Não faz muito sentido”, afirma o autor.
Além dos elogios à organização do festival, Rocha também encheu a bola da população de São Francisco. Observador, o escritor engatou boas conversas com o casal de pipoqueiros da praça, com a senhora da peixaria e outros personagens do distrito.
“São pessoas que entendem muito sobre a região, a importância da manutenção da cultura local para sustentar o turismo. Encontrei grandes leitores de Jorge Amado, Érico Veríssimo. Foi fantástico, essas pessoas são verdadeiros tesouros. Todo o bom escritor deveria se mudar para São Francisco”, brinca.
Organização
Coordenadora institucional do evento, Natália Duarte explica que esta tem sido uma impressão geral dos autores que fazem parte da programação do festival.
“Essa característica de proximidade com o público é uma das que mais interessam a eles. O fato do evento ser aberto, sem cobrança de ingressos, também colabora para um clima mais informal. Os autores também aproveitam para marcar presença nas mesas dos colegas. É realmente uma atmosfera bem gostosa. Este ano a curadoria do Luiz Ruffato foi muito feliz ao permitir que fosse feita uma leitura do panorama contemporâneo da literatura brasileira ”, explica.
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