
As múltiplas facetas da Cidade do Cabo
Agregadora desde as grandes navegações, cidade pode ser aventureira ou baladeira, moderna ou clássica, do chá ou da cerveja. Só depende de você

Agregadora desde as grandes navegações, cidade pode ser aventureira ou baladeira, moderna ou clássica, do chá ou da cerveja. Só depende de você

Viaje através das dicas sobre o que você vai encontrar em cada lugar

“Conta pra mim, Solimões, o que te faz furioso assim.” É Lau, nosso guia, quem evoca a toada do grupo Raízes Caboclas durante o passeio de lancha à margem do rio.

Manaus – A lancha embica num canto do rio, depois noutro e num terceiro, até o guia apontar o lugar: “Aqui tá bom”.

O mais importante museu de Roterdã data de 1852. Trata-se do Boijmans van Beuningen, cuja coleção reúne 140 mil obras, entre clássicas e modernas, doadas por colecionadores particulares. O catálogo é variado: há de Fra Angelico (Maddona and Child) a Munch (Two Girls beside an Apple Tree); de 152 quadros de Rembrandt (entre eles o Retrato de Aletta Adriaensdochter) a 29 obras de Salvador Dalí (entre eles o White Aphrodisiac Telephone); de Mondrian (Composition with Colour Planes) ao único brasileiro, Ernesto Neto (Célula Nave).

Uma escada giratória, sem grandes rodeios, e voilà: a praia! Mais precisamente, Scheveningen. Mais precisamente ainda, o badalado balneário no século 19, em 360 graus, com areia branca e fofa quase ao alcance dos pés. Se você subir a escada giratória falando, vai cair em silêncio. Se subir em silêncio, vai cair das tamancas. O Panorama Mesdag é mais uma mágica neerlandesa.

Há certo desconcerto no início: tem alguma coisa estranha aqui. Pássaros se transformam em peixes, que se transformam em pássaros, que viram tartarugas, que viram cavalos, que passam a ser pássaros, que se desdobram em casebres e nesse ritmo vai até que uma fluente correnteza d’água sobe por uma torre em vez de descer. Aí você ri. E passa o restante da viagem chamando de Escher tudo o que é ilusão. Um relógio analógico sem ponteiro? Escher! Um prédio de estrutura invertida? Escher! Um político que pense no povo? Escher!

Diga lá: o que sabemos de Haia? Talvez que Rui Barbosa ganhou ali o apelido de Águia de Haia, pelo seu discurso em defesa da igualdade dos Estados. De Roterdã, não mais que se trata do principal porto marítimo da Europa. Afinal, é para Amsterdã que vai a maior parte dos brasileiros que visita o país, quase 120 mil em 2013.

Não era uma pré-estreia cinematográfica, mas não deixava de ser. Moça com Brinco de Pérola retornava à sua casa depois de provocar filas homéricas em fãs ocidentais e orientais, gente como o 1,2 milhão de japoneses que replicaram 2,4 milhão de vezes no Facebook a emoção de ver ao vivo a inspiração do filme de Peter Webber.

Se hoje Haia e Roterdã festejam a reabertura de seus templos das artes, é bom relembrar que não são as únicas. No ano passado, Amsterdã também entregou ao público dois de seus mais importantes museus remodelados, após serem submetidos a profundos processos de restauro e reformulação.

Raw, real, rising, relaxing, refreshing, remarkable, Rotterdam. Eu acrescentaria ao slogan aliterado um resistente, reformadora, revolucionária, radical, roots. Roterdã foge do padrão holandês dos sobrados de tijolinho à vista. Ela aponta para o alto, com uns skylines que fazem pensar onde, afinal, fica o ponto de apoio daqueles prédios entrecortados.

O artista plástico e professor André Ricardo, que adota a visita a exposições como parte fundamental de suas aulas, dá dicas de como aproveitar o que os museus têm de melhor.