Guia prático para absorver toda a arte de Inhotim
Com o fim da Copa do Mundo, as companhias aéreas decidiram investir em promoções neste segundo semestre carente de feriados. Graças a uma delas, aproveitei um fim de semana para ir ao Instituto Inhotim, espaço de 110 hectares a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte, idealizado por Bernardo Paz e aberto em 2006. Mistura de jardim botânico e galeria de arte (mas, na verdade, muito mais do que isso), é passeio para a família toda.


Visão superior do Instituto Inhotim entre Brumadinho e Belo Horizonte
Reprodução/Facebook
Com o fim da Copa do Mundo, as companhias aéreas decidiram investir em promoções neste segundo semestre carente de feriados. Graças a uma delas, aproveitei um fim de semana para ir ao Instituto Inhotim, espaço de 110 hectares a cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte, idealizado por Bernardo Paz e aberto em 2006. Mistura de jardim botânico e galeria de arte (mas, na verdade, muito mais do que isso), é passeio para a família toda.
Andar pelas alamedas de altas palmeiras, deitar na grama, plantar sementes, colocar os pés em uma piscina gelada, deitar na rede, voltar a ser criança, pensar arte, absorver arte, sentir arte. São mais de 100 artistas brasileiros e estrangeiros, que formam um acervo de mais de 700 obras – cerca de 170 estão em exposição atualmente. Um fim de semana por lá ajuda a relaxar corpo e alma – mas planejamento é fundamental. Aqui, um guia prático para você se programar.
Transporte
Este é o item mais importante no planejamento de sua viagem a Inhotim. Apesar de estar a 60 quilômetros de Belo Horizonte, a oferta de transporte para Brumadinho, a cidade-base do instituto, é escassa. Considere as opções antes de comprar a passagem aérea.
Como meu voo chegaria a Belo Horizonte perto das 8h30 da manhã de sábado, não pude pegar o ônibus que sai da rodoviária da capital mineira às 8h15 (R$ 23,90, de terça-feira a domingo; retorno às 16h30, de terça a sexta-feira, e 17h30 aos sábados, domingos e feriados, a R$ 23,45). Compre a passagem com antecedência pelo saritur.com.br para garantir seu lugar, já que a opção aos fins de semana é disputada.
Muitas pousadas oferecem transfer de Belo Horizonte – os preços ficam entre R$ 400 a R$ 500, ida e volta, independentemente do número de passageiros. Neste caso, use táxi para ir e vir de Inhotim – as próprias pousadas ajudam a providenciar.
Para o meu orçamento, era demais. Preferi alugar um carro, que ainda me daria mais liberdade. Pesquisei nas locadoras e no Rentcars.com.br, que reúne ofertas que não estão nos sites das locadoras. Vale ainda ligar para sua operadora de cartão de crédito: muitas oferecem descontos em empresas específicas.
Paguei R$ 188 por duas diárias com quilometragem livre e seguro. Aceite o adicional de cobertura para vidros – há muitos caminhões na estrada e pedregulhos podem danificar seu para-brisa. Antes de devolver, enchi o tanque com etanol: R$ 55
Estrada
Não adicionei GPS ao aluguel porque contava com a ferramenta do celular – e com as instruções do rapaz da locadora. Deu certo, apesar de eu ter entrado errado uma vez e ter ficado insegura se estava no caminho certo outras duas ou três. É preciso passar por dentro de Belo Horizonte e pegar o Anel Viário com sentido a Contagem, Betim e Mario Campos. As placas demoram um tantinho a aparecer e podem ser confusas. Um copiloto ajuda (e muito). Espere demorar entre 1h30 e 2 horas do desembarque no aeroporto até chegar a Inhotim.
Ingressos
Dá para comprar com antecedência e evitar fila (que pode ser longa em fins de semana ensolarados). Custa R$ 30, mais taxa de conveniência. Junto dá para comprar também o transporte interno, em carrinhos de golfe (R$ 20 o dia inteiro), que vale muito a pena.
O transporte não leva ao parque todo, apenas a áreas mais distantes, em cinco rotas definidas. Mas ajuda muito. Assim, você gasta energia onde realmente importa. Dica econômica: compre o transporte para um dia e concentre sua visita nas áreas cobertas pelo carrinho. Costuma ser suficiente. Se não for, é só comprar o passe no dia seguinte.
Onde ficar
Brumadinho é uma cidade pequena, com comércio local e nenhum outro atrativo turístico. As melhores pousadas (indicadas no próprio site do instituto) não ficam exatamente na cidade, mas isso é bom: clima de fazenda para relaxar depois de um dia intenso entre as galerias. Prefira aquelas com restaurante próprio: se você não tiver pique para sair à noite, pode jantar lá mesmo.
Minha escolha foi a Nossa Fazendinha, a 5 quilômetros de Inhotim, que oferece chalés simples, mas funcionais. Diária a partir de R$ 290 o casal, com café da manhã. A Pousada Nova Estância (pousadafazendanovaestancia.com.br) tem ótimas referências e um restaurante cobiçado – diárias desde R$ 310 o casal, com café da manhã. Uma pousada está em construção dentro do instituto – deveria ser inaugurada este ano, mas em razão de atrasos na obra não há mais data prevista.
Uma dica: se for voar na segunda-feira de manhã, melhor passar uma noite perto do aeroporto, nos hotéis de Lagoa Santa ou Vespasiano.
O Parque
Não deu para ver todas as obras em duas tardes, o que não é de todo mal. Ir a Inhotim é mais do que ticar galerias no mapa. Caminhar despreocupadamente observando as belas espécies botânicas e esculturas espalhadas faz parte dos prazeres da visita. O projeto paisagístico é lindo – e deitar na grama em um dia ensolarado vai renovar sua energia para um mês inteiro.
Há vários cafés simples, que vendem basicamente salgados e cachorros-quentes, dois restaurantes (Oiticica, a quilo, e Tamboril, mais sofisticado) e o Bar do Ganso, com petiscos e drinques. Não é permitido fazer piqueniques. Leve na mochila água, uma canga para deitar na grama e roupa de banho. Se fizer sol, dá para se banhar na piscina que é também uma instalação, criada por Jorge Macchi.
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