“Faço músicas para durar no tempo, por décadas”, diz Marcelo Jeneci

“Tem sido catártico, um encontro muito forte com o público”, diz Marcelo Jeneci ao Meon, sobre o clima dos últimos shows da turnê de “De Graça”, segundo álbum do músico que se apresenta neste sábado (31), às 22h30, no Sesc São José dos Campos, dentro da Virada Cultural Paulista 2014. A entrada é grátis.

Escrito por: Renan Simão4 min de leitura
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Músico fala sobre novo disco, mundo indie e sonho com Gilberto Gil

Divulgação/Daryan Dornelles

“Tem sido catártico, um encontro muito forte com o público”, diz Marcelo Jeneci ao Meon, sobre o clima dos últimos shows da turnê de “De Graça”, segundo álbum do músico que se apresenta neste sábado (31), às 22h30, no Sesc São José dos Campos, dentro da Virada Cultural Paulista 2014. A entrada é grátis.

A necessidade de mudança fica nítida com a transição deste trabalho recente com “Feito Pra Acabar”, álbum de estreia de Jeneci. O que era canção simples, virou mais esteticamente trabalhada. O amor de uma pessoa (sua ex-namorada e atual companheira de banda Laura Lavieri) deu lugar a um tempo sozinho e a descoberta de um novo Jeneci.

“Acho que teve mesmo uma separação, mas de mim comigo mesmo”, conta o cantor. “Mas também um reencontro, os novos ‘sim’, os novos ‘não’, na estrada da turnê, na estrada da vida. É essa perseguição, do viver com graça sabendo lidar com as dores e as alegrias e o disco tem muito isso”.

A fala do paulistano de Guaianases, zona leste da capital, busca uma objetividade nas respostas mas, visivelmente, para o próprio Jeneci, como que essas perguntas e as respostas servissem para se conhecer mais -e não apenas para atender o repórter.

Indie
É assim quando fala, sem receio, que gosta de bandas do indie rock atual e que a sonoridade produzida em camadas e viagens instrumentais pesou na escolha de Adriano Cintra para coproduzir “De Graça” junto de Kassin.

“Atualmente esse som tem sido desenhado pelo mundo indie, uma música que abre porta para a psicodelia e o progressivo. Ouço muito James Blake, Tame Impala, Animal Collective, escutei bastante esse tipo de música na concepção do ‘De Graça’ e por isso quis o Adriano e o Kassin comigo, pelas histórias deles”, explica.

O tratamento de camadas sonoras e efeitos de sintetizadores em “De Graça”, contudo, não tira a característica maior de Jeneci que é criar canções melodiosas e fáceis de cantar.

“É natural para mim fazer canções com temas e melodias que buscam no chegar no coração, no pensamento, de falar do bom da vida, das coisas da vida que são de graça, só que agora acrescento mais lisergia e psicodelia”, conta o músico, que também é admirador declarado de Erasmo Carlos -fez show com o Tremendão, deu pitaco em disco do ídolo [Gigante Gentil] e tem uma foto dos dois na sala de sua casa.

“Adoro ‘Carlos, Erasmo’ [1971] e ‘Sonhos e Memórias’ [1972], são discos lindos. Fui mostrar para o Erasmo ‘Hoje Temporal’ para ver se ele gostava, toquei três vezes, ouvi umas observações e entrou no disco”, lembra.

Sobre outro tutor criativo, Jeneci tira do letrista José Miguel Wisnik a carga de influência em “De Graça”, em comparação com a participação de Wisnik nas músicas de “Feito Pra Acabar”.

“O que tem do Zé no ‘De Graça’ é o que tento na minha carreira, de buscar dez canções que façam você escutar muitas vezes, de canções que duram no tempo, por décadas”.

Sonho
Com relação à música que talvez seja a mais roqueira do disco, Jeneci fala que “Sorriso Madeira” surgiu quando sonhou com Gilberto Gil.

“Fui arrebatado naquele show do Gil e a Orquestra Sinfônica da Bahia, foi lindo. Depois do show me levaram pra falar com ele e tive aquele impacto de conhecer um cara que eu amo. Aí sonhei com ele. No sonho, ele me chamava pra dançar e olhar as estrelas, sem falar nada. Aí, corta. A gente está entrando num lobby de hotel e lá dentro começa a tocar essa música, com uns riffs dos Novos Baianos. E ele disse: ‘Seu sorriso pra mim é madeira’. No sentido de rolar um lance. Acordei, pensei que essa música já existia, mas não tinha em nenhum disco dele e entrou no ‘De Graça’. Por isso a letra diz: ‘ Seu sorriso pra mim viu / É madeira / Falei que eu tô em extinção/ Você também meu bem/ Então vamos ali plantar no seu quintal / Um pé de nós dois'”.

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