A arte de colecionar álbuns da Copa
Os álbuns de figurinhas da Copa do Mundo 2014 chegaram às bancas neste final de semana e como sempre causaram um grande alvoroço na vida dos colecionadores. Esses dias, fui indagado por uma amiga sobre qual a graça ou o sentido em comprar figurinhas e preencher o álbum. Uma dúvida que ficou martelando na cabeça desde então.

Os álbuns de figurinhas da Copa do Mundo 2014 chegaram às bancas neste final de semana e como sempre causaram um grande alvoroço na vida dos colecionadores. Esses dias, fui indagado por uma amiga sobre qual a graça ou o sentido em comprar figurinhas e preencher o álbum. Uma dúvida que ficou martelando na minha cabeça desde então.
Afinal, como entender isso? Sair de casa, “gastar dinheiro” para comprar os cromos, abrir o pacote e vibrar com uma figurinha que faltava para completar uma seleção ou se decepcionar por ter saído a imagem de um jogador que você já tirou umas cinco vezes. Além é claro de vibrar com um cromo especial, cheio de detalhes, todo colorido. Me diga caro leitor qual a razão disso?
Pois é! Também não sei explicar, mas sei sentir, me emocionar e decepcionar colecionando as figurinhas. Ainda sou um iniciante. Tenho o álbum das Copas da Alemanha e da África do Sul completos. Tenho ainda um do Mundial de 90, totalmente incompleto que um tio abandonou e eu tomei posse.
Para quem acha uma bobeira sem tamanho, saiba que há muitos desafios! Afinal, na edição deste ano, são 649 figurinhas e claro você não vai dar a sorte de completar o álbum apenas comprando os cromos na banca, já que são muitas imagens repetidas que você acaba tirando e aí entra um lado mais social!
Me lembro da saga que foi completar o exemplar da Copa da África do Sul. Eu devia ter umas 100 figurinhas repetidas, quase o mesmo número que faltava para eu preencher todo álbum. Fui em um domingo de manhã na praça Santa Terezinha, em Taubaté, onde centenas -eu disse centenas-, de pessoas se encontravam para trocar cromos repetidos ou até vendê-los. Eram crianças, adolescentes, jovens e pessoas de mais idade. E era incrível como um ajudava outro na busca de preencher o álbum. Lembro de um adolescente que comemorou como se fosse um gol quando ele viu, na minha mão, um cromo de algum jogador da Coreia do Sul, que eu já tinha dado a sorte de tirá-lo uma 10 vezes, mas era um dos cinco que faltavam para ele fechar o livro.
Além disso tem toda uma negociação. Por exemplo, eu lembro de um senhor -tinha mais de 60 anos-, que estava com dois cromos especiais e que eu não tinha. Ou seja, tive que dar 10 cromos normais em troca dos dois, mas valeu a pena. Nesse dia eu voltei pra casa já com o álbum praticamente completo. Retornei apenas mais uma vez para a praça só para chegar nos 100%.
Também tem a questão da evolução do jogador. Você vê a mudança física, o envelhecimento de um atleta que participou de mais de um mundial. Um exemplo, dê uma olhada no atacante Romário, que nos álbuns de 90, 94 e 98 chega a perder alguns centímetros.

Por mais inexplicável que seja, é um fato que acontece quatro em quatro anos e que avisa: a Copa do Mundo chegou! Meu álbum já está em casa e com algumas figurinhas já coladas, agora é correr pra finalizar tudo antes da Copa. Daqui a um mês, tenho certeza que encontrarei alguns leitores em alguma praça qualquer trocando figurinhas, inclusive com este que vos escreve.
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