Alessandra Negrini e Deborah Secco curtem o momento especial de vilãs na TV
Alessandra Negrini não seria a atriz preferida do mais erudito dos autores brasileiros – Júlio Bressane -, se não fosse, ela própria, uma intelectual. Suas leituras recentes que o digam. Recusa do não Lugar, de Juliano Garcia Pessanha, elogiada mistura de ficção e não ficção que dialoga com a psicanálise e a filosofia – “Adoro o que ele…

Alessandra Negrini não seria a atriz preferida do mais erudito dos autores brasileiros – Júlio Bressane -, se não fosse, ela própria, uma intelectual. Suas leituras recentes que o digam. Recusa do não Lugar, de Juliano Garcia Pessanha, elogiada mistura de ficção e não ficção que dialoga com a psicanálise e a filosofia – “Adoro o que ele escreve” – e Lady Susan, de Jane Austen. “Esse foi preparativo para a novela.” Se não está lendo mais é porque, todo dia, tem muito texto para decorar. Alessandra refere-se a Orgulho e Paixão, a novela das 6, na qual faz a vilã. E ela ainda tem filme novo estreando no dia 5. Mulheres Alteradas, que Luís Pinheiro adaptou da HQ da argentina Maitena Burundarena.
O filme é sobre quatro mulheres – Keka, Marinati, Leandra e Sônia – que vivem momentos decisivos de suas vidas. Entre as outras três está Deborah Secco, que também está no ar como vilã – na novela das 9, Segundo Sol. Deborah faz uma vilã meia-boca, pau mandado da vilã-mor, que é Adriana Esteves, na trama de João Emanuel Carneiro. Karola é burra – “Acho muito divertido fazer personagens burras. É só exagerar um pouco no tom e fazer cara de sonsa. Todo mundo se liga.”
No filme, a coisa é mais complicada. Alessandra Negrini, a Marinati, faz a profissional, pegadora. Acaba de conseguir um caso importante na firma de advocacia e não tem tempo para romance. Mas vai numa balada com a amiga – Keka, sua assistente, justamente Deborah – e surge um cara. Embora as mulheres sejam quatro – as duas que faltam são Maria Casadevall e Monica Iozzi, como Leandra e Sônia -, Marinati é a locomotiva da narração. Representa um tom acima.
“Foi o mais bacana desse projeto, o desafio de fazer comédia, e comédia rasgada”, explica Alessandra. “As histórias têm o pé na realidade – “Acho que essas quatro mulheres no fundo são uma só, e eu já fui todas” -, mas o tom não é realista.” Na cama com o novo amante, Daniel Boaventura, Marinati tem um orgasmo e flutua no ar. “Cinema, para mim, é uma coisa física e eu amo essas cenas”, diz Alessandra. Ela subiu amarrada na grua – “Já tinha feito isso em Cleópatra, com o Bressane”, lembra. Outra cena engraçada – um coco cai na cabeça dela, na praia, e… olha o spoiler. Espere o filme, porque senão vai tirar a graça toda. Como é fazer essa mulher poderosa, segura de si, que só pensa na carreira e dá um pé no amante, quando ele fica xaroposo? “Conheço várias.”
Já Deborah diz que fez um trabalho de composição. Não se identifica com sua personagem, essa mulher que tenta salvar um casamento fracassado. O marido, Dudu/Sergio Guizé, está empurrando a relação. “Eu acho que sou mais ele na vida. Não sei terminar as relações e fico fazendo tudo errado para ver se o outro se toca e termina. Acho mais fácil começar. Se me interesso por um cara, vou logo dando pinta. Com o Hugo (Moura), foi assim. E o escolhi nas redes sociais. Bati o olho e é ele.” Deborah refere-se ao companheiro, desde 2015. Está numa fase boa. Se não lê mais é porque tem a família, o trabalho, montes de texto para decorar. Ela se incomoda com as críticas? “Comecei muito cedo e fui sempre muito criticada. A sociedade é muito hipócrita e machista. As pessoas têm muito preconceito contra quem não segue suas regras. Estão sempre preocupados com quem estou, com o que faço. Não é fácil conviver com isso, mas eu tento. A vida é minha. E tenho minha filha para criar. Antes de ser famosa, sou mãe. E pode crer que sou uma mãe muito dedicada.”
Sem emitir juízo de valores sobre as comédias brasileiras que são blockbusters, Alessandra Negrini arrisca que Mulheres Alteradas é ‘diferente’. É mesmo. O diretor Luís Pinheiro tem linguagem. Cria elaborados planos sequências, capricha no diálogo – a cena das irmãs de carro no Minhocão, um diálogo interminável, se não fosse divertido e bem filmado -, dirige muito bem suas atrizes. A novela é outro regalo. “O autor é Marcos Bernstein, e você sabe como ele escreve.” Bernstein, só para lembrar, foi o outro roteirista de Central do Brasil (justamente com João Emanuel Carneiro) e é o diretor de filmes como O Outro Lado da Rua e Meu Pé de Laranja Lima, adaptado do best-seller de José Mauro Vasconcelos.
A vilã de Alessandra, Susana, bola as maiores vilanias e sua ajudante, Petúlia, é quem as executa. “Essa parceria com a Grace Gianoukas é das melhores coisas da minha vida. A gente se diverte muito no set de gravação. E a novela é das 6, mais leve. A vilã desse horário tem até palhaçada. Faz parte.” O repórter – com todo respeito – não pode deixar de notar que Alessandra está parecendo uma garota. Jovem e linda. Quem é a namorada do seu filho adolescente? “Não provoca”, ela retruca, rindo. De onde vem essa beleza toda? “É gene.” E a forma? “Cuido com alimentação.” Nisso difere de Deborah. “Não me cuido como deveria, mas a natureza está sendo generosa comigo.” E como! Alessandra permanece vilã, no ar, até outubro. Depois, tira férias. “Preciso.” Para o ano que vem, o projeto é voltar ao teatro. “Estou trabalhando com a Juliana Frank na adaptação de um livro dela.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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