Alguns sambas para chacoalhar seu carnaval

Não adianta. Os próximos dias serão dedicados a um tema: o carnaval. Você pode não gostar, mas deve concordar comigo que somos abençoados por vivermos num país em que dedicamos quatro dias do nosso ano exclusivamente para a farra. Se você é doente do pé e não gosta de samba, ouça o que te agradar, […]

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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Não adianta. Os próximos dias serão dedicados a um tema: o carnaval. Você pode não gostar, mas deve concordar comigo que somos abençoados por vivermos num país em que dedicamos quatro dias do nosso ano exclusivamente para a farra. Se você é doente do pé e não gosta de samba, ouça o que te agradar, tome algumas cervejas bem geladas e fique com um sorriso no rosto nesses dias. É inegável que tudo fica bem melhor depois.

Agora se você é fã do batuque – ou ocasionalmente abre espaço nos seus interesses musicais nessa época para curtir o gênero que é a marca registrada desse país – não precisa ficar refém dos pagodes mauriçolas-dor-de-corno produzidos nesses tempos, dos axés onipresentes e muito menos dos sambas-enredos cada vez mais sem inspiração que nossas escolas têm levado para as avenidas nas últimas décadas. Eu e o pessoal do Meon, sempre preocupados com o seu bem-estar, vamos dar algumas dicas de sambas de qualidade para você curtir a farra com qualidade.

Afinal, estamos falando de mais de 100 anos de história. Tem muita música produzida sob o signo do batuque, seja em qual vertente for. O nosso carnaval como o conhecemos hoje, por exemplo, começou em final dos anos 1920. Uns garotos do Bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, que se encontravam no Café do Compadre, gente como Mano Edgar, Nilton Bastos, Baiaco, Bide e um tal Ismael Silva fundaram a primeira escola da samba do Brasil: a Deixa Falar. Mas precisava de uns ajustes. O samba até então reunia muitos elementos do maxixe, o que de certa forma não funcionava na avenida.

“A gente precisava de um samba para movimentar os braços para a frente e para trás (…). A gente precisava de um samba para sambar”, explicou Ismael Silva, como relata o mestre Jairo Severiano. Ismael reclamava para si a autoria também do termo “escola de samba”, já que a Deixa Falar era vizinha de uma escola normal que formava professores para a rede escolar, segundo ele, formadora de “professores do samba”.

Nas mãos da turma do Estácio, o samba ficou mais malemolente, mais picotado, suingado, tendo a batida marcada por instrumentos de percussão. Essa turma do Estácio, que frequentava o lendário Café do Compadre, era chamada de “bambas” – daí você já deduz de onde saiu a expressão. Aqui cabe você começar a escutar os sambas de Ismael Silva, um dos nossos maiores gênios:

Mais tarde, outro que fez parte dessa turma de bamba foi um ex-estudante de Medicina e compositor dos mais versáteis: Noel Rosa. Um verdadeiro fenômeno da música brasileira, capaz de cantar com igual maestria as tristezas de um coração partido com o bom humor das ruas.

Noel fez parcerias com vários grandes de sua geração. Entre eles, aquele que considero o maior gênio da nossa música popular: Cartola. Difícil escolher somente uma música de um repertório tão poético e inabalável em sua beleza mesmo com o passar dos tempos.

Enquanto isso, em São Paulo, outra lenda fazia seus caminhos com crônicas certeiras e bem-humoradas da capital paulista.

Cansou de história? Quer coisa nova? Vai de Casuarina:

Ou da bela e extremamente talentosa Roberta Sá:

Pra dizer que não falamos de sambas-enredos, essa arte esquecida pelas nossas escolas, preocupadas muito mais com a alta tecnologia que vão levar para as alegorias do que com o conteúdo de sua música, seguem alguns favoritos, como esse do mestre Paulinho da Viola:

E o meu favorito, “É Hoje”, da União da Ilha, levada à avenida no carnaval carioca de 1982, aqui com o Monobloco (ouça os discos da banda durante esses dias e se divirta):

Para finalizar, claro, um produto tipicamente e altamente delicioso da nossa região:

Vale a viagem até São Luiz se estiver de bobeira nesses dias. Aproveite, enquanto uma grande cervejaria não compre a festa e transforme no produto plastificado que viraram os carnavais do Rio e Salvador. Ou use essas músicas para fazer um playlist e curtir em casa. De nada.

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