ANA e ONS apontam que a crise chega antes da chuva na RMVale

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba pode ficar sem água até novembro de 2014 e viver a mesma crise hídrica enfrentada na grande São Paulo. O alerta já foi feito pela ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e pela ANA (Agência Nacional de Águas).

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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A Região Metropolitana do Vale do Paraíba pode ficar sem água até novembro de 2014 e viver a mesma crise hídrica enfrentada na grande São Paulo. O alerta já foi feito pela ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e pela ANA (Agência Nacional de Águas).

Recentemente, um estudo feito pela ONS para a ANA revelou que se não forem adotadas medidas de gestão emergenciais imediatamente, o nível das represas da Bacia do Rio Paraíba do Sul atingirá 1,8% de sua capacidade antes do final do ano.

Segundo a Agência, o nível dos mananciais da região já alcançaram 36,6%. A represa de Jaguari opera com cerca de 40% de seu total.  Os efeitos da estiagem podem ser vistos em vários pontos dos reservatórios, que já começam a secar na região.

Procurada pelo Meon, a ANA informou que o alerta de um colapso no sistema de abastecimento de água em São Paulo foi dado em 2010, quando lançou um amplo estudo sobre os recursos hídricos no país.  De acordo com a Agência, na época foi apontado que era possível evitar a crise, investindo R$ 5,4 bilhões na construção de novos reservatórios e na ampliação e manutenção dos sistemas existentes.

De acordo com a assessoria do órgão, um estudo completo com a avaliação da ANA sobre a situação da Bacia do Rio Paraíba e o impacto de uma interligação com o Sistema Cantareira já foi entregue ao Ministério Público em São José dos Campos, que investiga se há ou não riscos permanentes ao abastecimento na região.

Simpósio
Um Simpósio de Recursos Hídricos do Rio Paraíba do Sul, encerrado nesta sexta-feira (23) em São José dos Campos, também concluiu que a região corre o risco de ficar sem água até o final do ano.

Para a professora doutora Maria Regina de Aquino Silva, que coordenou o evento, o alerta é sério e caso não sejam adotadas medidas, podem ser irreversíveis. “Se continuarmos nesta ausência de chuva como esta previsto é possível faltar água para nossa população. Há dez anos vivemos uma crise semelhante, onde só foram tomadas ações emergenciais e nada foi feito. Não aprendemos a lição, não fizemos uma gestão dos recursos e agora a solução é fechar a torneira e cobrar que sejam tomadas ações permanentes”, avalia.

Além da falta de políticas públicas e gestão integrada para evitar a escassez na região, outro problema apontado pela especialista foi a cultura das pessoas da RMVale que não economizam água. “Estamos consumindo e desperdiçando demais. Tem que haver uma campanha para a população criar uma consciência e não gastar tanto, com multas e bonificações aqui também, no Estado todo. É preciso entender que a crise não é do Sistema Cantareira, ela é nossa, é de todos”, conclui a professora.

Desperdício
A preocupação com o desperdício discutida no simpósio é confirmada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Segundo a operadora, na RMVale cada cidadão chega a consumir uma média de 219,2 litros de água por dia, enquanto a média recomendada pela ONU (Organização das Nações Unidas) é de no máximo 110 litros por pessoa.

Procurada pelo Meon, até o fechamento desta reportagem, nem a Sabesp, nem a Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos haviam se manifestado sobre o caso.

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