Aos 93 anos, caçapavense escreve livro de memórias

Ao saber que Lourdes Mesquita Siqueira, 93 anos, fez carreira como bibliotecária e professora de pesquisa em trabalhos científicos do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) fica fácil identificar em sua fala um discurso correto, empostado, mesmo falando de lembranças de toda uma vida, de “pessoas que nem existem mais”, como diz.

Escrito por: Renan Simão2 min de leitura
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Bibliotecária aposentada fez livro sobre vida e carreira

Divulgação/Taiadaweb

Ao saber que Lourdes Mesquita Siqueira, 93 anos, fez carreira como bibliotecária e professora de pesquisa em trabalhos científicos do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) fica fácil identificar em sua fala um discurso correto, empostado, mesmo falando de lembranças de toda uma vida, de “pessoas que nem existem mais”, como diz.

As memórias de Lourdes, fundadora da Academia Caçapavense de Letras, estão em “Envelhecer Vivendo” livro lançado em Caçapava no começo do ano e no Sesc São José dos Campos na semana passada, um registro de “documentário”, como a escritora define, “que fala sobre a história da minha vida, relacionada à história de Caçapava”.

A viúva conta que foi casada por 56 anos e seu marido a apoiou no início da carreira de bibliotecária quando fez sua graduação na USP. Depois chefiou a biblioteca do ITA por 28 anos, chegando a tornar-se presidente da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários.

Em Caçapava, Lourdes lembra que foi amiga de Francisco Pereira da Silva, o Chico Triste, sendo assídua leitora da coluna “Era Uma Vez” do jornalista. Também escreveu uma peça para o centenário da cidade, ajudou a instituir a tradição folclórica do desfile de carros de bois e o Dia do Caçapavense Ausente, além de contribuir para a causa da terceira idade com a atuação na criação do Conselho Municipal do Idoso e do CCTI (Centro de Convivência da Terceira Idade) “Viva a Vida”.

“Depois de aposentada, me dediquei aos velhinhos. Esse livro também é para dizer que envelhecer não é morrer, é preciso lutar, o idoso ainda não é respeitado na cidade, no ônibus, falta atenção dos mais jovens”, conta, sempre inserindo um “ok” ao final de suas falas.

Ler e escrever 
A escritora se diz incentivada a escrever pelo o apoio dos três filhos, todos engenheiros, conta orgulhosa. E de seus cinco netos e duas bisnetas. “Escrever é, além de uma distração, um exercício de memória muito bom na minha idade”.

Lourdes sempre lê revistas, jornais e livros à noite. A leitura se tornou um hábito para a chegada do sono. “Não sei dormir sem ler, tenho que ler pelo menos uma página. É repousante. Eu troquei os remédios pelos livros”, afirma.

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