Aplicativos de corrida investem em tecnologia para driblar assédio
Inteligência artificial e outras ferramentas são empregadas com o objetivo de diminuir ocorrências de assédio nas corridas de aplicativos

Empresas de aplicativo de corrida têm adotado ferramentas que buscam garantir tranquilidade às passageiras que solicitam carros pelo aplicativo, principalmente nas situações em que pode haver mais vulnerabilidade.
Um levantamento da 99, uma dos aplicativos de transporte individual, mostra que 73% dos passageiros da classe C que passaram a usar o aplicativo durante a pandemia são mulheres.
Elas enfrentam as mais diversas situações, desde condução acima da velocidade média a abordagens impróprias dos motoristas.
“Uso (carro de aplicativo) com frequência. Já estive numa situação na qual o motorista corria muito e fiquei bem assustada.”, relata a profissional de suporte técnico em Tecnologia da Informação, Vanessa Oliveira, de 33 anos.
Na opinião da usuária, “é de suma importância que as empresas invistam cada vez mais em tecnologias que visam resguardar a integridade das mulheres”.
Entre as tecnologias adotadas, estão as de IA (Inteligência Artificial). A Pítia, da empresa 99, por exemplo, identifica passageiras em situação de maior risco de assédio, como viagens à noite, mais longas, acionadas por terceiros ou solicitadas de bares e restaurantes.
Quando essas chamadas são recebidas, a empresa envia às passageiras motoristas mulheres ou condutores com as melhores notas de avaliação.
Já a IA Atena envia vídeos e textos aos motoristas antes do embarque das passageiras, lembrando-os sobre a importância de manter profissionalismo e respeito, além de oferecer dicas de como se comportar.
Segundo a plataforma, desde março deste ano, quando foi lançada, a Pítia diminuiu em 45% o número de assédio contra passageiras. A Atena reduziu os casos em 17% em apenas uma semana.
“Com tecnologia de ponta, somos hoje capazes de identificar as situações de maior risco e atuar antes mesmo que um problema aconteça”, disse Veronica Devia, gerente de Responsabilidade Social da 99.
Outra IA lançada este ano é a Ártemis, que identifica automaticamente situações de assédio deixadas nos comentários após as corridas, bane os agressores e direciona atendimento humanizado às vítimas.
Entre as consequências da pandemia de covid-19 está o aumento da violência doméstica. Segundo levantamento de pesquisadoras da UFABC (Universidade Federal do ABC), em 2020 houve aumento de 1,9% dos feminicídios e de medidas protetivas nas delegacias, em relação a 2019.
Para ajudar as vítimas, a 99 também lançou um canal de comunicação que conecta mulheres ao projeto Justiceiras, que reúne força-tarefa especializada em acolher mulheres vítimas de violência.
Ao clicar na Central de Segurança do aplicativo, a usuária acessa o formulário que direciona seu caso ao “Justiceiras”, para iniciar o atendimento.
A cada 24 horas, duas mulheres procuraram ajuda das Justiceiras via formulário disponível no aplicativo.
A concorrente Uber também tem medidas que visam proteger as usuárias. A plataforma EVA (Evidências sobre Violências e Alternativas para Mulheres e Meninas) reúne dados relativos a qualquer tipo de violência contra as mulheres no Brasil, Colômbia e México, classificados por categorias como idade e raça, entre outras.
A empresa também criou, em parceria com a Rede Mulher Empreendedora, a plataforma Elas na Direção, que, além de incentivar motoristas parceiras a obterem trabalho e fonte de renda flexíveis, inclui a ferramenta U-Elas, pela qual as motoristas optam por receber somente chamadas de usuárias mulheres.
A empresa fecha parcerias com ONGs e instituições, como a Plan International Brasil, com a qual a Uber criou um game que visa tornar os motoristas parceiros de Salvador aliados no combate à exploração sexual, especialmente nos destinos turísticos do país.
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