Por que o avião brasileiro é o substituto natural do Hércules americano — e como a Embraer chegou a negociar com a maior força aérea do mundo
A Embraer avança nas negociações para vender o cargueiro militar KC-390 Millennium para a Índia e os Estados Unidos, segundo entrevista do CEO Francisco Gomes Neto à CNN Brasil, concedida durante a Assembleia Geral da IATA no Rio de Janeiro neste domingo, 7 de junho. Na Índia, a empresa disputa um contrato de 60 a […]

A Embraer avança nas negociações para vender o cargueiro militar KC-390 Millennium para a Índia e os Estados Unidos, segundo entrevista do CEO Francisco Gomes Neto à CNN Brasil, concedida durante a Assembleia Geral da IATA no Rio de Janeiro neste domingo, 7 de junho. Na Índia, a empresa disputa um contrato de 60 a 80 aeronaves em parceria com a Mahindra, com decisão prevista até o fim de 2027. Nos EUA, desenvolve a integração de sistemas de reabastecimento em voo para caças da Força Aérea Americana, com potencial de montar o avião em solo americano se vencer o contrato.
O resultado seria inédito para a aviação militar brasileira. O KC-390 concorre diretamente para substituir o Lockheed C-130 Hércules — aeronave projetada na década de 1950 que ainda opera em dezenas de forças aéreas. Por herdar o DNA de disponibilidade da aviação comercial, o cargueiro brasileiro opera mais horas com menos aeronaves na frota. Cerca de 50% dos seus componentes já são de origem americana, argumento logístico decisivo para a negociação com Washington.
Contexto
A Embraer chegou à IATA com números históricos na aviação comercial: 500 unidades da família E2 vendidas e carteira de pedidos de US$ 7,6 bilhões — equivalente a quase cinco anos de entregas garantidas. No encontro, a empresa operou 24 voos de demonstração do E2 entre o Aeroporto Santos Dumont e a fábrica em São José dos Campos para executivos de companhias aéreas de todo o mundo. No Brasil, Azul e Latam já operam o modelo, e a empresa mira a Gol como próxima cliente.
Na divisão de Defesa, a meta é escalar a produção do KC-390 de forma gradual, adicionando uma aeronave por ano até atingir 10 unidades anuais em 2030. O Super Tucano também recebe investimento para expandir capacidade. Segundo Gomes Neto, o cenário geopolítico — marcado pelo conflito no Oriente Médio e pela corrida por rearmamento — acelerou o interesse global por defesa, colocando a Embraer em posição raramente vista por uma empresa brasileira no mercado internacional de aviação militar.
Fontes: CNN Brasil, entrevista Francisco Gomes Neto (07/06/2026), IATA, Embraer.
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