As tradicionais festas de junho em Cusco

O frio aumenta, a chuva cessa, o sol alcança o ponto mais alto no céu. Esfria a Cordilheira dos Andes, brilham suas gentes. Junho chega, os andinos celebram. O mês mais festivo da temporada requenta esperanças. Dias irrompem em alegria. Máscaras, trajes, símbolos, bandeiras, comidas. Montanhas coloridas, montes de pessoas bailam, brindam, trocam, compartilham. Ninguém fica com mais, ninguém fica com menos. São todas parte de um só contexto, parte de uma tradição viva movida a fé e reciprocidade. Cusco, alma e coração inca, vira o epicentro de buliçosos festejos.

Escrito por: Fábio Vendrame3 min de leitura
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Festas de adoração ao deus Sol acontecem com símbolos característicos

Divulgação/Vacacionaviajes

O frio aumenta, a chuva cessa, o sol alcança o ponto mais alto no céu. Esfria a Cordilheira dos Andes, brilham suas gentes. Junho chega, os andinos celebram.

O mês mais festivo da temporada requenta esperanças. Dias irrompem em alegria. Máscaras, trajes, símbolos, bandeiras, comidas. Montanhas coloridas, montes de pessoas bailam, brindam, trocam, compartilham.

Ninguém fica com mais, ninguém fica com menos. São todas parte de um só contexto, parte de uma tradição viva movida a fé e reciprocidade. Cusco, alma e coração inca, vira o epicentro de buliçosos festejos.

Alguma popularidade entre os brasileiros o Inti Raymi já desfruta há certo tempo. A Festa do Sol este ano será na terça-feira, dia 24. Começa no Qoricancha, avança sobre Huacaypata e culmina em Sacsayhuamán. Desde o hasteamento da wifala, pavilhão do arco-íris, a megaencenação refaz a trajetória e resgata o júbilo inca.

Desfiles, exposições, danças, encontros gastronômicos, leitura de poemas em quéchua, apresentações musicais e outras manifestações culturais – serão 260 no total – preenchem o calendário de ponta a ponta. Em meio a tudo, no dia 17 a procissão de Corpus Christi ganha as ruas da cidade. É a hora também de compartilhar o chiriuchu, o prato emblemático cusquenho que congrega ingredientes da serra, da selva e da costa – síntese da integral expansão inca pelo território peruano.

Tal é o sincretismo religioso entre cruz e chakana que a festa católica deflagra a maior romaria dos Andes, peregrinação que todo fiel deve cumprir ao menos uma vez.

Pouco mais de oito quilômetros na cordilheira para alcançar Taitacha Qoyllur Rit’i. O Senhor da Estrela de Neve espera a multidão a 4.500 metros de altitude, nas imediações do nevado Sinakara, perto do Apu Ausangate (6.372 m), cuja esplanada acolhe as barracas de milhares de peregrinos em busca da purificação.

Ao som de zampoñas, quenas e tambores, há oferendas a Pachamama, a Jesus Cristo, a Nossa Senhora de Fátima, ao Taitacha de Tayankani. Bebida (sem ácool), comida e abrigo para todos. O ritual mais contundente consiste em subir o nevado ao amanhecer e extrair grandes blocos de gelo, que, de origem sagrada, serão usados para irrigar a terra, fertilizar as mulheres, encher as pias batismais das igrejas ou simplesmente beber e purificar corpo e alma.

Antes, contudo, há um ritual repetido há mais de 600 anos: a renovação anual da Q’eswachaka, ponte suspensa de 28 metros de extensão e 1,20 metro de largura sobre o Rio Apurímac, feita de fibras vegetais e capaz de suportar o peso de “15 lhamas e um pastor” ao mesmo tempo. Este ano, a troca da passarela natural tal e qual se fazia na época inca, será no domingo, em meio a quatro dias de festa e a certeza de que, no ano que vem, tudo recomeça.

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