Aumento de 2°C pode triplicar áreas de calor extremo

Regiões da África Subsaariana e do sul da Ásia estão entre as mais vulneráveis a temperaturas insuportáveis.

Escrito por: Da redação2 min de leitura
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Pesquisadores da King’s College London publicaram nesta terça-feira (4) um estudo alarmante na revista Nature Reviews Earth and Environment, que aponta um cenário devastador caso a temperatura global suba 2°C em relação aos níveis pré-industriais. A pesquisa revela que, com esse aumento, as áreas com calor extremo poderiam triplicar, colocando em risco a vida humana em várias regiões do planeta.

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A pesquisa é uma advertência direta contra a meta estabelecida pelo Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento global a 1,5°C até o final do século. Se superado esse limite, o estudo destaca que zonas como a África Subsaariana e o sul da Ásia poderiam se tornar regiões inabitáveis devido ao calor extremo, afetando severamente a saúde e a segurança da população local.

Tom Matthews, principal autor da pesquisa e professor de Geografia Ambiental, explica que os níveis de calor insuportável, que até agora só foram registrados brevemente nas áreas mais quentes do mundo, se tornariam mais comuns à medida que as temperaturas aumentam. “Se o planeta atingir o aumento de 2°C, mais pessoas, incluindo jovens saudáveis, estarão expostas a condições extremas de calor”, afirmou.

O estudo detalha dois tipos principais de limiares de temperatura que afetam a saúde humana: os limiares incompensáveis, quando o corpo humano não consegue regular sua temperatura de forma eficaz devido à combinação de calor intenso e alta umidade, e os limiares insuportáveis, quando a temperatura do corpo atinge 42°C por um período prolongado, o que pode ser fatal.

Desde o ano 2000, mais de 260 mil mortes relacionadas ao calor extremo foram registradas, e a pesquisa aponta que esse número pode aumentar consideravelmente caso as temperaturas globais continuem a subir. Além disso, o estudo destaca que as populações mais vulneráveis, como os idosos, já estão mais suscetíveis ao estresse térmico. Se o limite de 2°C for alcançado, até mesmo indivíduos mais saudáveis poderão enfrentar riscos graves de insolação, mesmo em condições favoráveis de sombra e hidratação.

Os pesquisadores alertam que, sem medidas eficazes para conter o aquecimento global, a mortalidade por calor se tornará uma ameaça ainda maior, impactando diretamente a qualidade de vida das populações mais expostas.

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