Banda Mole: 39 anos de história e tradição em Guaratinguetá
O trio elétrico passa pelo grupo de foliões na avenida do Samba em Guará Divulgação Em uma época que os desfiles competitivos reinavam em Guaratinguetá, eis que surge um bloco na cidade com o desejo de reavivar os antigos carnavais. Em um bate-papo de final de tarde, num domingo de Carnaval, quatro amigos reunidos no […]


O trio elétrico passa pelo grupo de foliões na avenida do Samba em Guará
Divulgação
Em uma época que os desfiles competitivos reinavam em Guaratinguetá, eis que surge um bloco na cidade com o desejo de reavivar os antigos carnavais. Em um bate-papo de final de tarde, num domingo de Carnaval, quatro amigos reunidos no Clube Literário Piscina, em 1975, resolveram que o Carnaval dos anos seguintes não deveriam ser os mesmos.
Um grupo formado pelo então presidente do clube, Carlos Alberto Jambeiro da Rocha (o Carlucho), o pintor letrista Carlos Santos Pinto Graglia, (o Carlinhos Letrão), o contador James Roberto Gomes e o comerciante Tonico Bartelega decidiram criar um bloco de rua, que desfilasse pelo centro da cidade, e que todos pudessem participar da folia. Foi aí que surgiu a Banda Mole, bloco carnavalesco de embalo, que permitia a livre participação dos foliões.
Ao grupo de amigos se juntou um grande número de simpatizantes considerados por Carlucho como fundadores do bloco que desfilaria pela primeira vez no sábado de Carnaval de 1976. O itinerário decidido para o bloco passava de frente para a Matriz de Santo Antônio, bem no horário da missa.
Foi aí que os quatro amigos reuniram-se novamente para conversar com o Monsenhor Bindão, pároco da época, e combinaram que só começariam a folia quando as portas da Igreja se fechassem. O Monsenhor Bindão comprometia-se a fechar as portas assim que a missa terminasse, para não atrasar o “esquenta” da Banda Mole.
Tal procedimento foi seguido pelos demais padres, sendo que alguns chegavam a pedir aos fiéis que fossem para a rua assistir ao desfile. Modificado em 2003, em razão do remodelamento da praça Conselheiro Rodrigues Alves, o percurso passou a ter início a partir dela, no início da rua José Bonifácio, mantendo o restante do trajeto ,porém não passava mais diante da igreja matriz.
Banda Mole?
O objetivo dos fundadores do bloco era marcar a subversão da ordem que o Carnaval de Guaratinguetá era submetido, com regras, local para desfile e competição. A ideia original teria sido nomear o bloco de “Bunda Mole”, mas o receio de que o nome pudesse causar a antipatia de foliões, o bloco foi batizado de Banda Mole, que entre outras brincadeiras trazia os foliões homens vestidos com roupas femininas.
As paródias para marchinhas foram introduzidas a partir do carnaval de 1986, ano em que foi realizado um concurso para a escolha de melhor música e letra. O tom de irreverência e crítica das paródias, visando escrachar figuras de destaque no cenário político municipal, nacional ou internacional e ridicularizar fatos a eles ligados, surgiu no carnaval de 1987.
Na ocasião, um secretário municipal entendeu que deveria disciplinar os carnavalescos com regras, o que feria frontalmente os princípios do bloco. A atitude grotesca do secretário teve como resposta a negligência dos foliões e uma marchinha que fez história. Desde aí, de secretário municipal até presidente foram “homenageados” pela Banda Mole.
A partir da experiência dos foliões em Guaratinguetá, nasceram no início da década de 80, outras “Bandas Moles” em Santos, Belo Horizonte e Maringá. Característica interessante é não ter corpo direto, não ter associado e não envolver e nem ser envolvida por nenhuma espécie de transição comercial.
“Ninguém ganha dinheiro com a Banda Mole. Ao contrário, nós descascamos o nosso bloco (sic) para que ela saia legal”, contou um dos fundadores, Carlinhos Letrão. Desde janeiro são realizadas as Serestas da Banda Mole. Até o sábado anterior ao Carnaval, as serestas se caracterizam por tocar marchinhas antigas.
Mudanças
A principal mudança para este ano é quanto ao itinerário. Contrariando a tradição da saída do bloco do centro da cidade, em 2014, a Banda Mole sairá de frente da Sabap, na avenida João Pessoa, no bairro do Pedregulho. De acordo com o secretário de Turismo, Célio Leite, o percurso foi mudado em virtude de problemas com segurança.
“A Banda Mole tem sofrido há certo tempo com problemas de segurança, tanto do ponto de vista do policiamento, quanto para o folião, por conta da travessia da linha férrea, da ponte e da fiação baixa, portanto sugerimos a mudança do percurso, tendo em vista que a avenida João Pessoa é uma continuação da avenida carnaval, o que possibilita maior segurança ao folião”, explicou.
De acordo com um dos organizadores da Banda Mole, Marcelo Ortiz, será repetida na avenida a homenagem ao fundador do bloco o dentista Carlos Alberto Jambeiro da Rocha, o “Carlucho”, que faleceu em 2012. “Assim como no ano passado, vamos homenagear Carlucho. Para isso, preparamos uma novidade no boneco que representa nosso amigo”, comentou.
Neste ano o tema da Banda Mole será “Se o Barbosa não chiar”, uma critica aos condenados no caso mensalão. “É uma critica aos condenados que querem sair da prisão, ou ter prisão domiciliar, apelando de tudo quanto é jeito, mas o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa não está com muita vontade de atender esse pedido. É uma paródia feita pelo Flávio Augusto que diz, se o Barbosa não chiar eles querem vir pra Guará e sair na Banda Mole”, explicou Marcelo Ortiz.
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