Blocos de rua agitam o sábado de Carnaval em São José dos Campos

Engole Sapo e Acorda Peão desfilaram pelo centro da cidade

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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O sábado de Carnaval começou animado pelas ruas do centro de São José dos Campos. Por volta das 11h, o tradicional bloco Engole Sapo saiu da Praça do Sapo, no centro da cidade, arrastando uma multidão animada de foliões.

Nesta, que é a 26ª edição do bloco, o tema foi a corrupção na Petrobrás. “E tinha outra coisa para falar?”, indaga o jornalista Luis Paulo Costa, um dos fundadores do Engole Sapo e que, desde 1997 organiza os desfiles.

No meio dos foliões, ainda na concentração do bloco, teve até padre que deixou a batina de lado para brincar o Carnaval. Dimas de Paula Inácio é padre na Diocese de Mogi das Cruzes.

“Carnaval é alegria e, além de tudo, a maior manifestação cultural do país. A vida é uma festa e o Carnaval nos lembra que precisamos sorrir mais e deixar esse moralismo que só faz mal”, diz antes de ir junto com o bloco.

Embalados por músicos da tradicional Banda de Santana e na companhia de bonecões, o bloco ganhou as ruas do centro da cidade. Uma tradição que a esteticista Isabel Magalhães não perde desde a primeira edição.

“Carnaval é isso, gente na rua, brincadeira, uma festa para todos. São José precisa ter mais blocos na rua, mais Carnaval. É muito pouco para uma cidade tão grande”, afirma.

Acorda Peão
Pouco antes, às 10h, foi a vez das alfinetadas políticas do bloco Acorda Peão, do Sindicato dos Metalúrgicos, ganharem as ruas. Neste ano, o 17º que o bloco sai para a rua em São José, o que não faltou foi assunto para compor a marchinha.

A edição 2015 do Acorda Peão veio afiada. Sobrou para todo mundo: para a corrupção na Petrobras, a crise hídrica no Estado de São Paulo, os cortes nos direitos trabalhistas e o aumento da passagem de ônibus em São José dos Campos.

“Esse ano foi até difícil de colocar todos os problemas em uma letra só. A cada hora aparecia mais um escândalo. O Carnaval também tem essa vertente, de denúncia. É a hora de se divertir, mas mostrar a insatisfação do povo com o descaso dos governantes com o dinheiro público. Até porque, no fim, é o povo quem sempre paga a conta”, afirma Edmir Marcolini da Silva, diretor do Sindicato e responsável pela organização do bloco.

O bloco ganhou as ruas do centro da cidade com carros alegóricos que faziam alusão aos temas deste ano. Teve até Dilma Rousseff desfilando em seu cadilac presidencial enquanto “cortava” uma carteira de trabalho. Nestor Ceveró e Carlinhos Almeida eram outras personalidades representadas no desfile.

“É um bloco importante para o Carnaval de São José e o mais independente da cidade. Sair 17 anos seguidos é uma batalha, já que a festa está se esvaziando a cada ano na cidade”, afirma Toninho Ferreira (PSTU).

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