Boa comida e receptividade nas casas de moradores da Chapada

Na casa do seu Wilson é oferecida boa comida e muita simpatia Divulgação Os irmãos de Wilson Rodrigues Oliveira, de 66 anos, foram saindo aos poucos rumo a São Paulo e a outras cidades grandes. Já ele, nascido e criado no Vale do Pati, não arreda pé da casinha que construiu após uma empreitada paulistana […]

Escrito por: Da redação2 min de leitura
fundo_placeholder-023136
Acomodações do Seu Wilson na Chapada Diamantina

Na casa do seu Wilson é oferecida boa comida e muita simpatia

Divulgação


Os irmãos de Wilson Rodrigues Oliveira, de 66 anos, foram saindo aos poucos rumo a São Paulo e a outras cidades grandes. Já ele, nascido e criado no Vale do Pati, não arreda pé da casinha que construiu após uma empreitada paulistana que durou 16 anos. Lembra até hoje o dia em que voltou. “Era 29 de março de 1980. Depois, nunca mais saí daqui”, diz seu Wilson.

Há mais de 20 anos, ele e sua mulher, dona Maria, de 64 anos, recebem um povo amante de natureza, que chega suado, cansado e faminto após horas de caminhada. Ajudados pelo vigor da simpática filha Nara, de 27, conseguem alimentar (deliciosamente, por sinal) e acomodar 20 pessoas por noite, em quatro quartos singelos, porém aconchegantes.

Mas seu Wilson gosta mesmo é de contar causos. “A ocupação por aqui começou em 1899 por causa de uma grande seca. Um senhor de sobrenome Gasparini veio sem esperanças para cá plantar mandioca No fim, cresceu banana, café e cana. E ninguém nunca passou fome”, relata. Ele diz que o Pati chegou a ter 337 famílias.

Do lado de lá 

Na outra ponta do vale, sob a suntuosa Ladeira do Império (você vai ter de subir o paredão de mais de 400 metros para chegar a Andaraí), fica a última hospedagem da caminhada. A vida de Miraldo José Pereira, o Seu Joia, de 49 anos, mudou muito desde que passou a receber viajantes. “Hoje nossa roça é o turismo. E eu quero que cresça, porque é um trabalho muito bom”, diz.

Se as acomodações de seu Joia são ainda mais espartanas – não há luz elétrica -, a recompensa vem da cozinha. Edileuza, ou melhor, dona Leu, prepara magistralmente uma refeição farta com tempero especialíssimo. E conta que a maior parte dos ingredientes chega lá em lombo de burro ou nas costas de seu Joia, que vai à feira em Andaraí a cada oito dias.

Numa dessas ocasiões, conta seu Joia, um sobrinho descobriu uma cascata com 50 metros de altura a 2h30 de caminhada de sua casa – e a batizou Cachoeira Guariba. Terei de incluir essa atração na minha próxima visita.

Pernoites nas casas de nativos rendem causos curiosos, relatos de vida e refeições fartas

Publicado em: