Bolsas dos EUA fecham em alta com avanço dos preços do petróleo e BCE

A bolsa de Nova York fechou em alta nesta quinta-feira, 21, mas com os principais índices bastante abaixo das máximas do dia. O mercado reagiu à alta dos preços do petróleo e à perspectiva de novas medidas de estímulo à economia da zona do euro sinalizadas pela manhã ao fim da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Esses…

Escrito por: Conteúdo Estadão5 min de leitura
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A bolsa de Nova York fechou em alta nesta quinta-feira, 21, mas com os principais índices bastante abaixo das máximas do dia. O mercado reagiu à alta dos preços do petróleo e à perspectiva de novas medidas de estímulo à economia da zona do euro sinalizadas pela manhã ao fim da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Esses fatores levaram o mercado a deixar em segundo plano suas preocupações com a China, onde a bolsa de Xangai caiu 3,23%.

Os preços do petróleo abriram em queda, dando continuidade às baixas recentes, mas passaram a subir com compras para cobertura de posições; a alta acelerou depois do informe do Departamento de Energia dos EUA (DoE), de que os estoques norte-americanos de petróleo bruto tiveram um crescimento de 3,979 milhões de barris na semana passada; embora o crescimento tenha superado a previsão dos analistas, de 2,3 milhões de barris, ele ficou abaixo da previsão divulgada ontem no fim da tarde pelo American Petroleum Institute (API), de 4,6 milhões de barris. A divulgação dos dados coincidiu com a notícia de que um ataque atribuído a guerrilheiros do Estado Islâmico causou um grande incêndio nos tanques de armazenagem de petróleo do terminal de exportação de Ras Lanuf, na Líbia.

O BCE manteve suas taxas de juro inalteradas, como se previa; o presidente da instituição, Mario Draghi, disse que o crescimento da zona do euro está sendo prejudicado pelo desempenho das economias emergentes, que a queda persistente dos preços do petróleo tem contribuído para que a inflação não suba em direção à meta e que “será necessário, portanto, revisar ou reconsiderar a posição de nossa política monetária em nossa próxima reunião, no começo de março”.

“Depois de dezembro quando o BCE prorrogou seu programa de relaxamento quantitativo e reduziu sua taxa de depósitos, que já era negativa, todo mundo pensava que o BCE já havia esgotado suas medidas e que a próxima mudança na política monetária seria um aperto. Agora vemos que ele está mantendo a porta escancarada para mais estímulo no futuro, especialmente tendo em vista o ambiente de incerteza nos mercados financeiros e as preocupações com a economia global”, disse a economista Jennifer McKeown, da Capital Economics.

O estrategista Phil Orlando, da Federated Investors, disse que o BCE está correto em sua posição e provavelmente será acompanhado por um comunicado “dovish” do Federal Reserve na próxima semana. “O Fed precisa recuar de sua sinalização de ‘quatro elevações das taxas de juro no ano’. E se ele fizer isso, poderemos ter uma recuperação do mercado em fevereiro, quando ficar claro que um aperto monetário em março está descartado”, acrescentou.

Os indicadores divulgados nos EUA saíram mistos. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego teve um crescimento de 10 mil na semana passada, para 293 mil, o maior desde o começo de julho; economistas previam que ele ficasse em 277 mil. O índice de atividade industrial regional do Fed de Filadélfia subiu para -3,5 em janeiro, de -10,2 em dezembro; a expectativa era de que ele ficasse em -6,0.

Nas máximas, o Dow Jones chegou a subir 271 pontos (1,72%), o Nasdaq ganhou 65 pontos (1,46%) e o S&P-500 chegou a avançar 30 pontos (1,64%). “A recente volatilidade intraday tem a marca de ter sido conduzida por algoritmos de alta frequência, o que pode ser visto ao mesmo tempo como boa e má notícia. É assustador ver um movimento metódico de vendas, ao invés de um pânico irracional. Eu gostaria de ver os investidores institucionais aparecendo e comprando nos níveis atuais”, disse a estrategista Quincy Krosby, da Prudential Financial.

Já a presidente da Tower Bridge Advisors, Maris Ogg, disse que “a queda recente do mercado realmente foi exagerada, e não surpreende ver uma recuperação ampla, mas acho que esta correção ainda não se esgotou, porque os preços das ações continuam elevados. O que está acontecendo é uma correção global de estoques”.

Sete dos dez componentes setoriais do S&P-500 fecharam em alta, com destaque para os de energia (+2,89%), telecomunicações (+2,41%) e bens de consumo não essenciais (+1,37%). O do setor financeiro caiu 0,30% e o de serviços de saúde recuou 0,27%.

Entre as componentes do Dow Jones, as ações da Verizon Communications subiram 3,26%, em reação a seu informe de resultados do quarto trimestre; as da Travelers Cos., que também divulgou balanço, recuaram 0,92%. Entre as maiores altas estavam Home Depot, com alta de 3,23%, após reiteração de recomendação por analistas do JP Morgan, e Nike (+2,57%). As da American Express, que divulgaria resultados depois do fechamento, caíram 0,62%.

A recuperação dos preços do petróleo e de outras commodities beneficiou as ações do setor de energia e das mineradoras, entre elas Southwestern Energy (+19,24%), Consol Energy (+19,13%), Range Resources (+18,37%) e Freeport McMoRan (+6,39%). Entre as empresas que divulgariam resultados após o fechamento também estavam E*Trade Financial (-0,12%) e Starbucks (+3,71%). General Electric (+2,11%) e SunTrust Banks (-1,34%) divulgam balanços nesta sexta-feira.

O índice Dow Jones fechou em alta de 115,94 pontos (0,74%), em 15.882,94 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 0,37 ponto (0,01%), em 4.472,06 pontos. O S&P-500 fechou em alta de 9,66 pontos (0,52%), em 1.868,99 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires

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